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Segunda, 15 de Maio de 2017, 00h00

Macron, o improvável

Luiz Henrique Lima

Há cerca de dois anos, ninguém incluiria o nome de Emmanuel Macron numa pesquisa de opinião sobre as eleições presidenciais francesas. Há cerca de um ano, ninguém apostaria que Macron se classificasse para o segundo turno dessas eleições. Havia pelo menos meia dúzia de nomes infinitamente mais fortes e populares que o seu. Amanhã, Emmanuel Macron toma posse como o presidente mais jovem da história francesa e o mais jovem chefe de governo europeu.

Como esse fenômeno aconteceu será objeto de múltiplas análises de especialistas políticos e pesquisadores acadêmicos e não me atrevo a debater um processo que acompanhei muito a distância. Todavia, alguns comentários merecem registro, para provocar reflexões eventualmente úteis para a realidade brasileira.

Primeiro, o alívio com a derrota da extrema-direita xenófoba, racista e que chega a negar o Holocausto nazista. Ainda assim, é muito triste que tais propostas tenham recebido algum apoio.

Depois, a importância da vitória do programa pró-União Europeia. A União Europeia, mesmo com todos os percalços inerentes a um processo de integração econômica e política de mais de vinte nações, é um marco na história de um continente que durante mais de um milênio contou nos dedos os períodos de paz. A Europa é uma proposta civilizatória, de paz, cooperação e progresso e seus inimigos são os extremistas de sempre, cujas vestes nacionalistas não encobrem uma alma imperialista, belicista e autoritária. A experiência da União Europeia tem muitas lições inspiradoras para a América Latina e a África.

No seu percurso, um a um os rivais de Macron foram se destruindo. Uns foram abatidos por escândalos de corrupção, por sinal infinitamente menores que os até agora comprovados pelas Operações Lava-Jato e Calicute. Outros foram inviabilizados pelas disputas fratricidas no interior de seus partidos. Alguns foram vítimas do seu próprio radicalismo. Houve, por fim, aqueles que naufragaram na maré de descrédito generalizado nas forças políticas convencionais.

Sobrou Macron, que desde o início soube se posicionar com clareza num cenário nebuloso. Teve atitude para deixar o ministério, sem a deselegância de atirar pedras num governo impopular. Teve disposição para organizar um movimento e habilidade para atrair novas lideranças. Teve frieza para traçar uma estratégia e autoconfiança para seguir sua intuição.

Seguiu o conselho do revolucionário Danton em 1792: "Audácia, ainda mais audácia e sempre audácia!". Com audácia, o improvável primeiro se tornou possível e depois se realizou. Outro líder que chegou jovem ao poder na França, Napoleão, certa vez afirmou que gênio é quem sabe aplicar a arte da oportunidade.

Os desafios que Macron tem pela frente são bem maiores que os que superou para alcançar a vitória eleitoral, especialmente no combate ao terrorismo e ao desemprego. Temos com a França uma profunda relação afetiva, desde a gratidão pelo exemplo histórico da Revolução de 1789 e da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão até a admiração por seus grandes escritores e artistas. Desejamos boa sorte a Macron e aos franceses!


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Luiz Henrique Lima

Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT
Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.
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