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Segunda, 8 de Outubro de 2018, 00h00

O Brasil que queremos

Luiz Henrique Lima

Meses atrás, antecipando o debate eleitoral de 2018, um grupo de comunicação lançou uma campanha denominada "O Brasil que eu quero". O cidadão deveria gravar um vídeo de até um minuto falando sobre o Brasil que ele deseja. Os vídeos selecionados foram exibidos durante a programação jornalística das emissoras da rede.

A campanha foi bem-sucedida porque motivou milhares de pessoas de todo o país a refletirem sobre o tema e participarem diretamente e alguns milhões de espectadores foram alcançados por mensagens de cidadãos comuns, com linguagem simples e aspirações concretas. Entre as mensagens que pude assistir, muitas mencionaram a necessidade de melhorias nas políticas educacional e de saúde e, ainda, no combate à corrupção, o que não constitui nenhuma surpresa.

Agora, estamos na véspera das eleições. Amanhã é o dia em que poderemos contribuir para nos aproximar desse Brasil sonhado. Ou talvez não.

Qual é mesmo, não o Brasil que eu quero, no singular, mas o Brasil que nós queremos e precisamos, no plural?

É o Brasil do futuro, certamente, não o do passado. É o Brasil do século XXI. Para chegarmos lá, em primeiro lugar, é preciso cuidar para não retrocedermos nas conquistas das gerações que nos antecederam. O bom filho não dilapida o patrimônio herdado, mas o protege e multiplica.

Herdamos um país democrático. Teremos eleições livres, com uma multiplicidade de candidatos defendendo as mais variadas propostas. Precisamos preservar a democracia e as liberdades, respeitando aqueles que forem eleitos, mas não permitindo que algum deles sequer cogite desrespeitar a Constituição ou violar as liberdades.

Nossa democracia não é perfeita. Isso é verdade. Quem de nós o é? Mas é o melhor regime de toda a nossa história. Desde a chegada das caravelas, nunca os brasileiros viveram em ambiente de tanta liberdade. Na realidade, na maior parte de nossa existência, grande parcela de nossa população foi escravizada, perseguida ou censurada. A democracia é uma conquista recente, que deve ser valorizada e protegida para ser aprimorada.

Felizmente, ao contrário de outras nações, aqui não temos sangrentos conflitos étnicos ou religiosos. Há racismo sim e alguns bolsões de intolerância que precisam ser mais duramente combatidos e não tolerados ou estimulados por demagogos irresponsáveis.

Nossa democracia permitiu que as mulheres vencessem uma tradição multissecular de subordinação e exposição a violências, inclusive domésticas. O que era consentido no período ditatorial hoje é crime e não se pode admitir retrocesso. Da mesma forma, no respeito aos cidadãos brasileiros que são homossexuais e não devem sofrer discriminação.

Nossa democracia venceu a hiperinflação e a irresponsabilidade fiscal, bem como solucionou a crise da dívida externa, heranças terríveis da corrupta ditadura de 1964. Ainda não vencemos completamente a corrupção, mas só na democracia é que poderosos líderes políticos e empresariais foram julgados, condenados e presos. A ditadura produziu muitos corruptos e não prendeu nenhum.

Nossa democracia reduziu a mortalidade infantil e o analfabetismo, atenuou as desigualdades sociais e regionais e implantou mecanismos de proteção ao meio ambiente. Todos os indicadores fidedignos o comprovam.

Nossa democracia tem imensos desafios pela frente. Aprimorar a qualidade da representação política, reformular a estrutura tributária, solucionar o déficit fiscal e previdenciário, reduzir a violência urbana, alcançar mais efetividade nas políticas de educação e saúde... A lista é extensa. Tais desafios só podem ser vencidos por todos nós, brasileiros, democraticamente.

A democracia é a nossa força, não fraqueza. Fraco é quem se deixa seduzir por miragens de um suposto regime de força, desse ou daquele extremo, que traria soluções mágicas e imediatas. Não funciona. Nunca funcionou e as tragédias deles decorrentes vitimaram milhões por muitas décadas. Isso o século XX nos ensinou.

Que cada um seja livre e feliz nas suas escolhas.

Que Deus ilumine e proteja o Brasil.


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Luiz Henrique Lima

Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT
Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.
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