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Segunda, 14 de Outubro de 2013, 00h00

Professores

Luiz Henrique Lima

Respeito todas as profissões, mas tenho especial admiração e respeito pelos professores. Na realidade, das múltiplas atividades que desempenho, a que me dá maior satisfação íntima é quando sou reconhecido por algum aluno ou ex-aluno e chamado de professor.

Os bons professores influenciam de forma notável a nossa formação, não apenas formal, no aprendizado das ementas das disciplinas, mas também intelectual, transmitindo paixão pelo conhecimento, amor pela ciência, admiração e reconhecimento pelos sábios do passado e do presente e ambição de desbravar novas fronteiras do saber.

Os bons professores, como ensinava Paulo Freire, são os que têm a humildade e a simplicidade de estar sempre aprendendo, inclusive com seus alunos.

Os bons professores transmitem na entonação de sua voz e na postura corporal o entusiasmo por compartilhar lições e experiências. Sua maior realização é o sucesso de seus discípulos.

Os bons professores são exemplos inesquecíveis de conduta, modelos que nos inspiram ao longo de toda a nossa trajetória profissional.

Por tudo isso, considero deprimente a situação de desvalorização social dos professores em nosso país. Recentemente escrevi que em minha opinião professores deveriam ser tão bem remunerados como juízes ou fiscais de tributos. Fui muito criticado. Um dos argumentos mais fortes é que existem mais de cem professores para cada juiz ou fiscal, o que tornaria minha proposta irresponsável em termos de finanças públicas.Em tal perspectiva, como são a categoria mais numerosa do serviço público, os professores estariam condenados a vencimentos de subsistência, cabendo-lhes suportar o maior ônus para o equilíbrio fiscal.

De certa forma, tais críticos reproduzem o paradoxo da água e do diamante, conhecido na escola econômica neoclássica. Como na Terra, a água é substância abundante e o diamante escassa, o valor monetário deste é muito superior ao da água. O paradoxo é que a água é absolutamente essencial à vida humana, animal e vegetal, enquanto o diamante é uma pedra supérflua, de limitada utilidade em alguns equipamentos industriais.

Como a água, os professores são essenciais na mais sensível etapa da vida das pessoas: a infância e a juventude. Como a água pelos economistas neoclássicos, não têm o seu valor reconhecido pela sociedade e pelos dirigentes.

A baixa remuneração tem afastado das salas de aula muitos dos melhores professores, que vão empregar seu talento em outras atividades. Entre os melhores estudantes, poucos se dispõem a optar por uma carreira em que frequentemente as privações financeiras ultrapassam o sentimento de realização profissional. Conheço diversos que, somente após assegurar algum conforto econômico para suas famílias em outras atividades, retornam ao magistério, já na meia idade ou aposentados, para suprir uma lacuna existencial. E pergunto: qual o custo disso para o país? Qual o custo de privarmos nossas crianças e jovens de estudarem com os mais talentosos, capacitados e vocacionados? Não é preciso ir longe. Todos os rankings internacionais de educação relegam o Brasil a posições vexaminosas, entre as últimas do planeta, tanto no ensino fundamental, como no médio e no superior. Qual o custo da má qualidade do ensino e de gerações de brasileiros que após anos de escolaridade mal dominam os rudimentos do idioma e das operações aritméticas? Posso me equivocar, mas tenho convicção de que esse custo é bem maior do que o de remunerar dignamente os professores.

Sei que meu sonho não é alcançável em curto prazo. É necessário um processo progressivo e sustentável de reforma das estruturas estatais. Também sei que ele só será viável se antes houver uma revolução mental, colocando a educação de qualidade como prioridade máxima para o progresso humano. A nova economia ecológica dá mais valor à água que aos diamantes. Em breve futuro, irresponsável não será pagar bem aos professores, mas não saber valorizar a educação.


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Luiz Henrique Lima

Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT
Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.
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