Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

286 Cinqüenta Anos de História O nome Lenine foi um desejo de seu pai, pois como o próprio Lenine Póvoas confessou, esse desejo externava uma insatisfação de seu pai, ao sentir-se preterido e por viver em sérias dificuldades econômicas: (...) o meu nascimento foi por ele encarado como uma oportunidade para externar sua revolta e para magoar os poderosos da política local. Assim, decidiu dar-me o nome de Lenine, que naquele momento encarnava, no mundo, uma bandeira de luta conta as desigualdades e injus- tiças sociais. 56 Essa atitude pode encontrar justificativa na própria árvore genealógica, pois, ainda segundo o Dr. Lenine: Os Póvoas são originários, remotamente, do norte de Portugal, da região de Póvoa de Varzim, Barcelos e Braga. O primeiro ancestral de que se tem notícia, no Brasil, foi Joaquim de Mello Póvoas, Capitão General da capitania do Maranhão, no século XVIII, à mesma época em que Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres governava Mato Grosso. Lenine foi profundamente influenciado pelo pai, cujas atitudes moldaram sua personalidade e caráter, influência possível de ser observada quando assim ele escreveu: Meu pai nunca foi elitista na escolha dos compa- nheiros da infância para o filho. Sempre escolhi os amigos segundo minha própria preferência e, muitos, nascidos nas classes humildes do nosso bairro. Os garotos do Beco Sujo, situado nos fun- dos de nossa casa, sempre foram companheiros de peladas nas sombras dos velhos e lindos tarumeiros que pintavam de roxo o cais do porto, em frente ao rio Cuiabá. 57 Lenine Póvoas concluiu os estudos primários e secun- dários em sua cidade natal, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil – turma de 1945. Nos anos em que cursou a Universidade lecionava Geografia nos Colégios Paula Freitas, Ruy Barbosa, Anglo-Americano e Andrews, todos no Rio de Janeiro, onde conheceu sua futura esposa, D. Arlete Gargaglione Póvoas e onde foram realizadas as núpcias. Sua vida profissional não se ateve apenas ao universo do Direito, mas, atendendo aos anseios literários e de educador, procurou durante toda sua vida enveredar pelos caminhos das letras e da produção intelectual. Ministrou aulas de Geografia Humana na Escola Técnica de Comércio, em Cuiabá. Foi professor titular da Cadeira de Direito Penal, do Departamento de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso. Durante anos dedicados ao magistério, desenvolveu a arte da pesquisa e da escrita, o que lhe possibilitou publicar inúmeras obras nas áreas da geografia, história, cultura e literatura. No entanto, o senso de justiça, cultivado em Lenine pelos pais, conduziu-o à vida pública. Foi Deputado Es- tadual em Mato Grosso em duas legislaturas: 1947 a 1950 e 1951 a 1954, sendo, na primeira, Constituinte. Na segunda legislatura participou ativamente da criação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Gros- so, empreendendo, juntamente com Benedicto Vaz de Figueiredo, a necessária movimentação, percorrendo vários municípios do Estado em busca de apoio das Prefeituras do interior. De posse de grande número de assinaturas, evidenciou a necessidade de se criar o Tribunal de Contas no Estado. Exerceu o cargo de Juiz, Ministro e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, sendo um dos fundadores deste. Exerceu o cargo de Vice-governador do Estado de Mato Grosso, eleito por voto direto a 3 de outubro de 1965. Exerceu o cargo de Diretor-Superintendente da Companhia Mato-Grossense de Mineração – METAMAT. Foi Secretário de Administração do Estado de Mato Grosso no Governo José Fragelli, tendo sido implantador daquela Secretaria. Foi Presidente da Fundação Cultural do Estado de Mato Grosso, no Governo de Garcia Neto, tendo sido o primeiro Diretor dessa Fundação, que hoje se transmou em Secretaria de Estado de Cultura. Exerceu o cargo de Chefe da Casa Civil no Governo de Édson Freitas, em 1990, durante três meses. Atuou também como jornalista, fundando o órgão es- tudantil A Centelha , tendo sido colaborador do jornal A Ba­talha . Escreveu, ainda, em vários periódicos do Estado. Foi membro efetivo do Instituto Histórico e Geográ- fico de Mato Grosso e da Academia Mato-Grossense de 56 PÓVOAS, Lenine de Campos. Nilo Povoas, um mestre , p. 20. 57 Ibidem, p. 61.

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