Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

291 Cinqüenta Anos de História ironia do destino, tenho que me conformar com a condição de homem septuagenário. A Constitui- ção da República me ordena que me recolha aos cuidados da vida doméstica e me dedique aos interesses particulares. Gostaria de conviver com os senhores por mais tempo, porque ao longo de dez anos de labuta neste Egrégio Tribunal formei sólidas amizades que continuarei a cultivar para o resto de meus dias. 63 Em 1990, o Tribunal de Contas, acolhendo proposi- ção do Conselheiro Oscar Ribeiro, presidente do órgão à época, por unanimidade, aprovou a realização, no dia 14 do mês de março, de sessão especial em homenagem ao Conselheiro aposentado Licínio Monteiro da Silva, que no próximo dia 17 completaria 87 anos de idade, e que por mais de quarenta anos teve ativa participação na vida pública mato-grossense, notabilizando-se como político e administrador, sempre fazendo valer sua liderança e terminando a carreira como Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, instituição que presidiu por dois períodos alternados, servindo com dedicação por quase dez anos. 64 O Conselheiro Júlio José de Campos, em seu discurso de posse no Tribunal de Contas, em 2002, relembrou Licínio como um expoente político local e grande líder: (...) Impõe-se também enaltecer as pessoas que estiveram comigo nestes mais de 30 anos de vida pública na militância política partidária. Quero prestar minhas homenagens à memória saudosa do Presidente Juscelino Kubitscheck, ao Senador Filinto Müller, ao Governador Ponce de Arruda e ao inesquecível prefeito e líder maior de Várzea Grande – Licínio Monteiro da Silva. 65 Algumas palavras de Licínio, pouco antes de sua morte: Eu acho que a política melhor foi a do PSD e da UDN. Os partidos mandavam, tinham nome, No âmbito do Tribunal deContas doEstado, sua atuação foi igualmente marcante, tendo sido eleito Vice-presidente nos anos de 1968 e 1971, e foi Presidente em 1972. Quando de seu afastamento do Tribunal de Contas, foi realizada uma sessão especial em sua homenagem. Nessa ocasião, o Conselheiro Presidente, Benjamin Duarte Monteiro, despediu-se do amigo que deixava as funções: APresidência deseja saúda-lo emnome do Tribunal e expressar seus sentimentos, a sua homenagem ao nobre companheiro que conviveu conosco tanto tempo e tão bons serviços prestou aqui no Tribunal. Vossa Excelência, Conselheiro Licínio Monteiro, vai daqui se retirar e pode ficar certo que aqui deixa amigos. Quando tudo parecia triste, a sua risada alegrava e dela também vamos achar falta, porque V. Exª, realmente, foi um bom amigo, um amigo de todos, em todas as horas. 61 Conselheiro João Moreira de Barros, discursando em nome dos demais Conselheiros, expressou os sentimen- tos de todos os presentes: Conselheiro Licínio Monteiro, hoje é o último dia de Vossa Excelência aqui no nosso convívio como Conselheiro votante. Felizmente, por um dispositivo de nosso Regimento, Vossa Excelência poderá voltar aqui tantas vezes quanto quiser e gozar dos mesmos direitos e sentar ao lado dos companheiros e colegas de atividade. Os nossos colegas aposentados têm os mesmos direitos, pelo menos nas sessões espe­ciais, exatamente nos dias de festa como esta. 62 O Conselheiro Licínio, então homenageado, fez uso da palavra: Senhores e senhoras, após uma longa jornada, chego ao fim, commais de trinta anos de serviço público, nos mais variados setores da vida pú- blica, alcanço a idade limite para permanecer na atividade. Sou, agora um septuagenário. Embora, ainda na plenitude do vigor físico e mental, por 61 Ata de sessão especial do TCE-MT de 17 de março de 1973. 62 Idem. 63 Idem. 64 Ata de sessão especial do TCE-MT, de 14 de março de 1990. 65 Discurso de Posse do Conselheiro Júlio José de Campos, em 28 de junho de 2002. Revista do TCE-MT , Cuiabá, n.20/21/22, 2001/2002.

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