Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso

294 Cinqüenta Anos de História Ainda segundo seu filho, em 1927 ou 1928, Luiz Felipe Sabóia Ribeiro migrou para o Rio de Janeiro, levando consigo uma irmã chamada Odete e um irmão chamado Alexandre. Os outros irmãos, um engenheiro e cinco médicos, já tinham vida profissional. Um irmão dele chamado José Sabóia foi um baluarte da arquitetura brasileira, nível de qualidade de um Oscar Niemeyer. Quando Luiz Sabóia chegou ao Rio de Janeiro, o primeiro local em que ele foi trabalhar, foi na estrada Rio- -Petrópolis, com o irmão que era um dos engenheiros da construção da nova estrada. Trabalhou como apontador, quase como um operário, e à noite fazia o preparatório para a faculdade. Estudioso, Luiz Felipe Sabóia Ribeiro ingressou na Faculdade de Medicina da Praia Vermelha em 1928, vindo a se formar no ano de 1934, especializando-se em obstetrícia/ginecologia. Após alguns meses de formado no Rio de Janeiro ele resolveu vir para Mato Grosso, acompanhado de outro médico, o Dr. Humberto Marcílio, também cearense. Exerceu a medicina no interior do Estado de Mato Grosso, em cidades como Poxoréo e Corumbá, depois na capital do Estado, Cuiabá. Ainda nas palavras de seu filho, Luiz Felipe e Humberto Marcílio chegam a Rondo- nópolis, nas terras de Marechal Rondon, nos anos de 1935-1936. Então, Dr. Humberto foi para Lage- ado, hoje Guiratinga, enquanto meu pai desceu para Poxoréu. Parece-me que antes nunca tinha havido médico formado naquela região. Porque a descrição que o Sr. Amarílio, uma das figuras mais proeminentes daquela cidade, farmacêutico, que veio a falecer nesta Santa Casa, contou-me, era de um homem que lá chegou, todo vestido de branco, cheio de terra, cansado, sem jeito de andar a cavalo, parou diante de sua farmácia, quando este lhe falou: Quem é você? Ao que foi respondido: Luiz Felipe Sabóia, médico. Ao que lhe foi respondido: Mas, médico de canudo? Médico de canudo? E ele disse: Sim, médico de canudo. Exerceu a profissão de médico nos longínquos ga- rimpos do leste mato-grossense, prestando auxílio aos menos favorecidos, visto ter sido ummédico humanitário. Clinicou primeiramente na cidade de Poxoréu, no período de 1935 a 1943, sendo muito respeitado e admirado no seio daquela sociedade. Transferiu-se para Corumbá em 1944, servindo como médico da Comissão Mista Ferro- viária Brasil–Bolívia, na ferrovia Corumbá-Santa Cruz de La Sierra, até 1951. Além da prática da Medicina, Luiz Felipe Sabóia Ribeiro dedicou-se também às funções de Professor de história geral e do Brasil, no Ginásio Maria Leite, em Corumbá, de 29 de abril de 1944 a 9 de abril de 1949. Conforme seu filho Luiz Felipe: muita gente ainda se lembra dele, em Corumbá, como Professor de história do Ginásio Maria Leite . Por Ato de 30 de Janeiro de 1948, foi nomeado para exercer o cargo de professor da cadeira de português na Escola Técnica de Comércio de Corumbá. Em 14 de abril de 1950 foi igualmente nomeado professor de história administrativa e econômica do Brasil na Escola Técnica de Comércio de Cuiabá. Foi um dos Juízes fundadores do Tribunal de Contas do Estado. Ingressou no TCE no cargo de Juiz, por Ato de 31 de dezembro de 1953. No início do exercício funcional prestou compromisso perante o Governador do Estado, a 2 de janeiro de 1954. Fez três anos do Curso de Direito, quando da primeira tentativa de implantação da Faculdade de Direito emCuiabá, nos anos de 1954 a 1957. Tornou-se, no entanto, um autodi- data nessa área do conhecimento, sempre muito próximo dos livros, montando uma biblioteca própria. Foi eleito Vice-presidente do TCE em 8 de outubro de 1954, Presidente em 4 de janeiro de 1957, Vice-presidente em 5 de janeiro de 1959, e novamente conquistou a Presidência em 2 de janeiro de 1962. Por Ato de 26 de dezembro de 1963 foi aposentado no cargo de Ministro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso . Publicou a obra Caçadores de Diamantes , lançada no ano de 1959. Nela relata a atividade diamantífera em Mato Grosso, ocorrida a partir da década de 1940, em três zonas específicas: a do Araguaia, centralizada em Baliza; a do Garças, em torno de Lageado; e a de Poxoréo. Esse trabalho possibilita novas reflexões sobre o cotidiano dos homens e mulheres que vivenciaram, durante anos, a árdua tarefa da garimpagem junto aos monchões e grupiaras. Era intelectual esmerado, homem culto que declamava Camões cotidianamente em sua casa, estimulando, nos filhos, o gosto pela literatura. O culto às letras o creden- ciou a ingressar na Academia Mato-Grossense de Letras,

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