Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
17 a lógica que há entre disponibilidade de adoção e interessados em adotar. Em 2016, 7.158 crianças e adolescentes deixaram de ser adotados. Atualmente, mais de 38 mil pessoas estão aptas ao processo de adoção. Claiton e a esposa querem ser exemplo de que o amor transcende barreiras so- ciais e biológicas. No grupo de apoio prol- -adoção, dialogam com outros pais sobre as angústias pelas quais já passaram na fila de espera e pelas alegrias que, dia após dia, fazem valer a pena cada minuto longe do filho ou filha que está por chegar. “Só de- pois que você vivencia é que você começa a entender de onde vem o amor. E não é do sangue. Aquele ser transforma você. Você passa a saber o que é esse sentimento que as pessoas tão irresponsavelmente chamam de amor. Antes você dormia tranquilo, agora você ouve um barulhinho e acorda no meio da noite pra saber se ela está bem, se chora ou não. Hoje posso dizer que entendo um pouquinho de amor. E o amor é o que me desperta esse pedacinho de gente”. Isadora nasceu do amor e dos sonhos de seus pais. Não é em vão que, quando a meni- na questiona, Claiton e Silvana explicam que ela foi gerada no coração. Durante todo o diá- logo, sobre a “breve historiazinha” de sua vida, Claiton carrega no peito e na alma os reflexos de seu nascimento como pai. Com um jeito singelo e modesto, o homem, sem nem ver- balizar, consegue dizer sobre a grandeza de sua emoção. É dali, daqueles olhos cativantes e sempre marejados, que vem o amor. Publicada na Intranet em 17/3/2017 Não é o sangue que corre nas minhas veias que vão fazer eu te amar, sabe? É convivência direta, é ver que aquele ser indefeso depende de você para tudo. Passa a amar, abdicar de um monte de coisa. Por amor”, relata. E não foram só os pais que aprenderam a abdicar de algumas escolhas por amor. A família toda se mobilizou para receber a nova integrante. De ambos os lados, Isadora é a primeira neta. Nem dona Marlene, mãe de Cleiton que mora em Guiratinga e não gosta do calor de Cuiabá, hesita mais em passar uns dias na capital. Hoje, já com quase 3 anos, a pequena entrou para a escolinha e foi a família toda se encarregar de deixá-la em seu primeiro dia de aula. “Nós já estávamos sofrendo um mês antes. Fomos eu, minha sogra, esposa e cunhada, todos com o coração apertado. Ela largou de nós e foi brincar. Ficamos olhando pela janelinha e estávamos esperando abrir aquele chororô, mas ela ficou super bem”. De tão felizes, Claiton e a esposa agora planejam dar um irmão para a menina. Aos 40 anos, o papai está reclamando que as costas doem porque, mesmo correndo três vezes na semana, não tem dado conta de jogar bola, todos os dias, das 20 às 21 horas com Isadora. “Com um irmãozinho ela con- seguirá dividir a energia”, brinca iludido de que a sua barra será livrada. Assim que a adoção de Isadora foi firma- da, eles retornaram à fila de espera. Agora, cogitam fazer a chamada “adoção tardia”, para que o menino chegue mais rápido ao novo lar. Ampliar o perfil específico das crianças ou adolescentes, significa inverter
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