Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

21 gos dos filhos vão chegando, alguns pri- mos e tios também. Descendente de um casamento de famílias tradicionais cuiaba- nas, Rachid Jaudy e os Bastos Jorge, Leila herdou uma vasta rede de parentesco e de numerosos conhecidos. Ama recebê-los, atraídos para além da comida boa, pelo que ela define ser a própria harmonia da casa. Quem a visita uma vez, volta outras tantas mais. “Não conheço uma pessoa que não goste de ir lá, a casa tá sempre cheia”, co- menta vaidosa. Não demora muito até que o som das conversas se sobreponham ao silêncio domingueiro, ultrapassando os cômodos, reverberando pelas paredes. O pessoal conversa alto e brinca. Leila está no fogão, cheia de si por ser a anfitriã de momentos tão acolhedores e festivos. “O alimento tem esse poder de reunir as pessoas. É uma hora de descontração, de união. Tá todo mundo ao redor da mesa, passando bem, engordando, tomando uma cervejinha e muito feliz”, comenta sorrindo. Aos 59 anos, relembra que aos 16 surgiram- -lhe as primeiras essências do seu amor pela culinária, ajudando uma das tias num buffet em Campo Grande. Ao retornar para Cuiabá auxiliou outra tia no buffet Terezinha Vieira, considera- do, à época, um dos melhores da cidade. Formou-se em Pedagogia, mas foi só en- trar numa sala de aula para perceber a falta de afinidade com a profissão. A partir desse evento, decidiu se dedicar integralmente à culinária. “Eu amo cozinhar, é minha paixão. Não me imagino longe da cozinha, longe de colocar a mão na massa. São raras as vezes que deixo alguém cozinhar pra mim”, brinca, afirmando que o filho mais velho também é um bom cozinheiro e já faz um estrogonofe melhor que o dela. Uma das experiências mais significativas na carreira da servidora se deu no ano de 2000 quando ela assumiu a administração do restaurante do TCE, do qual sairia so- mente 11 anos depois, com a cessão do es- paço. Leila relembra que foi um período de muito aprendizado e crescimento. No início eram servidas 50 refeições por dia, e depois, no final, já eram aproximadamente 550. “Foi gratificante. Eu sinto que saí no auge da administração. Agradei muita gente, ape- sar de algumas críticas. Trabalhávamos com as nutricionistas do TCE, mas eu pedia uma vez por semana pra eu fazer minhas ‘engor- das’. Um dia da semana eu fazia o cardápio, rolava lasanha, ‘cesta chique’, com massas e molhos, diversos tipos de massa, sobremesa mais engordativa. Nosso carro-chefe era o peixe”, relembra a servidora. Leila ainda se “Eu amo cozinhar, é minha paixão. Não me imagino longe da cozinha, longe de colocar a mão na massa. São raras as vezes que deixo alguém cozinhar pra mim”

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