Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

27 Foi preso em 1972, no 10º Batalhão de Caçadores de Goiás, onde permaneceu por dois dias. Nesse aparente curto período, ob- servou a movimentação de muitos outros presos que entravam e saíam. “Eles falavam: ‘diga tudo, conte tudo, não negue nada. Seu colega já contou o que você está fazendo’. Era uma pressão violenta”. Suas explicações convenceram porque seu trabalho não ti- nha aquele tipo de revolução que deveria ser coibida. Percebeu o poder das ideias e dos conhecimentos que poderiam causar ranhuras na face do horror. Nos anos seguintes, o apaixonado pelas letras enveredou-se em um outro desafian- te caminho – o Jornalismo. Trabalhou no Diário da Manhã, em Goiânia, e escreveu ao lado de grandes personalidades como Batista Custódio e Consuelo Nasser. Em 1983, foi escalado para substituir o repre- sentante do jornal na sucursal de Cuiabá, o hoje conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso Antonio Joaquim, que à época já vinha se dedicando à política. Na capital mato-grossense, o jornal possuía 452 assi- naturas fixas. Os exemplares chegavam de avião, às 10h da manhã, e depois distribuí- dos. A proposta era a de que Bentinho ficas- se por alguns meses. Mas suas escolhas tra- taram de fincá-lo por estas terras como raiz de macaxeira. Em seis meses, a sucursal do jornal Diário da Manhã entrou em falência, mas a equipe constituída por oito jornalistas continuou a edição do jornal “Edição Extra”, que obedecia os mesmos moldes do Diário da Manhã. O novo periódico prosseguiu por dois anos. Após encerrar estas atividades, Ben- tinho vislumbrou uma oportunidade de desbravar o interior do Estado, carente por veículos de informação. Assim, teve início o “Folha de Paranatinga”, que seguiu até 1986. Nesse mesmo ano, o já então militante jor- nalista liderou uma reunião em Barra do Garças, onde foi fundada a Associação dos Jornais do Interior de Mato Grosso (Adjori). Ao todo, 28 jornais participaram da Asso- ciação, reunindo municípios como Peixo- to de Azevedo, Guiratinga, Rondonópolis e Cáceres. Bentinho foi seu primeiro pre- sidente. No dia 11 de setembro de 1986, a As- sociação regional se filiou à Associação nacional dos jornais do interior, Abrajori, que contava à época com a congregação de 2.200 jornais. As reuniões anuais ser- viam para a profissionalização, uma vez que muitos não possuíam sequer registro ou jornalista responsável, sendo a maioria constituída por núcleos e interesses fami- liares. Nessas reuniões, havia também muita “Eles falavam: ‘diga tudo, conte tudo, não negue nada. Seu colega já contou o que você está fazendo’. Era uma pressão violenta”

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