Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
31 pilotar o maquinário pesado. A necessida- de, sua primeira mestre. Tocou os veículos de estridor robusto como pode, quando, oficialmente, tirou carteira de motorista em 78. Talvez para ele, que ganharia a vida em frente ao volante, este período tenha sido o mais significativo; afinal, além das experiências como condutor de máqui- nas, assumiu a maturidade advinda dos dias, deixando para trás, bem guardadinho na memória, o sorriso do menino descen- dente de baianos. A experiência no volante lhe possibilitou arrumar trabalho numa usina e, posterior- mente, numa empresa de material de cons- trução, nas mediações da cidade de Coxim. As coisas até iam bem, mas não se deu por satisfeito. Já no início da década de 80, deci- diu seguir os passos da família que veio para Cuiabá - primo, sobrinhos e irmão. Veio no vulto. Aqui encontrou trabalho numa em- presa de ônibus, depois numa de transporte de combustível e, posteriormente, na praça, tornando-se taxista por sete anos. Recebeu uma proposta para voltar à empresa em que “puxava petróleo” e lá ficou por mais um ano, até a instabilidade econômica, à épo- ca, fechar as portas da transportadora, que migrou para o Rio de Janeiro. Ele decidiu ficar em Cuiabá. Foram 4 meses desempregado, até que um primo comentou sobre uma vaga para motorista no Tribunal de Contas. João não hesitou em pegar essa oportunidade. Está na instituição desde o dia 9 de abril de 1996. Tem a data na ponta da língua. “É como se fosse ontem”, diz. Principiou como motorista do então conselheiro Terezino Ferraz, que se apo- sentou em meados de 2000. Após o fim da parceria, ficou disponível ao núcleo de transportes e, como tinha experiência em veículos grandes, assumiu o ônibus do Tribunal de Contas. Nesse período, o iti- nerário era sempre o mesmo. Passava nas principais avenidas da cidade e recolhia os servidores que trabalhavam no período da tarde. Para tanto, saía do TCE às 11h; descia a prainha até a Dom Bosco; subia a rua sen- tido Cidade Alta, Ponte Nova; pegava o Co- xipó e retornava. No aparelho de som, a fita da dupla sertaneja Bruno e Marrone, que di- vidia a opinião de alguns passageiros. Uma hora após, já havia retornado à casa. “Na- Foram 4 meses desempregado, até que um primo comentou sobre uma vaga para motorista no Tribunal de Contas. João não hesitou em pegar essa oportunidade. Está na instituição desde o dia 9 de abril de 1996
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