Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

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35 tonia dos dias. “Quem admira o artesanato é quem conhece e dá valor a ele. Porque quando um produto é industrializado ele tem um custo muito menor, é feito em série... Já o artesanato é manual, então, tem um valor de fabricação bemmais alto. Quem conhece e gosta valoriza, mas a maioria não”, reflete. Parte destes pequenos caprichos feitos pela servidora pode ser visto no corredor do Núcleo de Qualidade de Vida no Tra- balho, setor em que está lotada. As cores e os temas variam com os meses, mas os pompons de papel, cartazes e fitas enfeita- das estão sempre ali saudando com alegria os visitantes. Engana-se, entretanto, que a vocação, curiosidade e polivalência de Katia se ra- mificam apenas à produção de artesanatos. Neta e filha mais velha de cuiabanos, é sam- bista e botafoguense de coração. Aprecia música e, desde sempre, pratica esportes. Toca cavaquinho, violão e há cerca de três meses ingressou no coral do TCE. Canta como contralto, um tipo de voz mais gra- ve e baixo de timbre robusto. No esporte, já jogou basquete, vôlei, handebol, praticou atletismo, salto em distância, muay thai e, hoje, faz trilhas e mantém a corrida. Neste último, começou aos 51 anos com o grupo de corrida TCE e hoje orgulha-se de percor- rer mais de 5 km. “O meu esporte preferido ainda é o muay thai. Também gosto muito de basquete, mas os times femininos sem- pre são formados por pessoas mais novas, aí acabei me distanciando. Assisto sempre pela televisão”, comenta. Daqui a aproximadamente seis anos pretende se aposentar, mudar para Cha- pada dos Guimarães e lá montar seu ate- liê. A cidade é sua Pasárgada, menos ace- lerada; o ritmo segue o fio da meada. Não que desconsidere a agitação das grandes capitais. Parte de si sonha com a vivacida- de e a reinvenção dos dias que acontecem cotidianamente no Rio de Janeiro. Tem a nítida imagem de trabalhar na Escola de Samba da Mangueira, costurando fantasias e amarrando enredos, como já fez outrora em carnavais de Cuiabá. Dois projetos de vida distintos, mas que, de uma forma ou de outra, ela tentará conciliar. Sim, Katia já foi criança um dia. E parte de si ainda é. Permanece a mesma curiosi- dade infantil da menina de 5 anos que vai amarrando as muitas linhas de sua vida. Às vezes é preciso desmanchar o tecido, mas é obstinada e recomeça. Ponto alto, pon- to baixo, ponto alto, ponto baixo. A menina pinta e borda com pincel e tinta; agulha e novelo nas mãos. Publicada na Intranet em 14/10/2016 Rio de Janeiro, 2011. Foto na cidade favorita, com a camiseta do time do coração Acervo pessoal

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