Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

40 lhe renderam o chamamento “Izinha”. Aqui no Tribunal de Contas, a servidora do Ceri- monial é mais conhecida por este último. Ela é um dos rostos que dá as boas-vindas a quem vem de fora e que sempre está a postos nas primeiras horas da manhã para saudar os servidores com um cumprimento espontâneo, às vezes, até forjando um “mau humor” com seu sempre bem-humorado estado de espírito. Este seu jeito de enfrentar a rotina com alguma graça e leveza talvez seja a fórmula peculiar que ela encontrou para reinventar os próprios dias, imprimindo identidade às diversas personagens articuladas no palco que é sua vida. Além de profissional, Iza é mãe, filha, irmã, amiga e uma mulher de 55 anos cheia de sonhos. E vivencia cada uma dessas faces como se houvesse saído de um filme felliniano, apesar do seu roteiro de vida ser cheio de reviravoltas, mais próximo aos grandes dramas de Shakespeare. O grande primeiro ato de seu espetáculo teve como revés a orfandade por parte de mãe, Domingas, que a deixou quando me- nina, aos 10 anos de idade. A família vivia na cidade de Nobres e veio a Cuiabá em busca de tratamento à gestante adoecida, que não resistiu. Além dela, Domingas dei- xou uma filha mais velha, que à época já estava casada, um menino de 8 anos e o próprio bebê que teve seu paradeiro perdido nos primeiros meses. Diante da tragédia, que foi a morte da companheira por complicações na gravi- dez, o pai de Izinha, Francisco, acreditou que seria muito difícil criar e formar sozi- nho as crianças. Francisco, então, comentou com parentes que os estavam apoiando em Cuiabá sobre a sua situação e intenção de encontrar outro lar para, pelo menos, um dos filhos. Uma das primas de Iza, que era costureira numa butique de luxo na capital, fez o elo entre a família biológica e a que iria receber a jovem Iza. Assim, neste enre- do, novas personagens foram tornando-se protagonistas. Estava tudo nas cartas. Dentre elas, a figura da jovem senhora Dilza Bressane foi fundamental como gan- cho desta reviravolta. Casada e mãe de três filhos crescidos, ela foi informada por uma cartomante de sua confiança de que teria mais uma filha. Dilza sorriu incrédula com a possibilidade, desacreditou na mulher e foi embora. Tempos depois, Bia, uma das filhas de Dilza, soube através de uma amiga a his- tória daquela família que buscava melhores condições de vida para as crianças. Levou, Bia, uma das filhas de Dilza, soube da história daquela família e levou a informação ao conhecimento da mãe que teve a certeza “é ela a minha filha”. Iza não retornou a Nobres.

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