Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

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42 do. Ele recebeu uma proposta para trabalhar em Cuiabá e estava decidido a vir. Diante do empasse, Iza não pensou duas vezes: iria acompanhá-lo. Contrariando a mãe, juntou dinheiro, vendeu lanches na praia e deixou tudo para retornar à capital que sempre es- teve no meio de seus trajetos. Ato III – Desafios no caminho Chegando aqui, decidiram oficializar a união. Casaram-se no ano de 1987 e ela engravidou pela primeira vez. A gestação foi interrompida por um aborto espontâ- neo, fato que preocupou e redobrou toda a atenção dos médicos que acompanharam a sua segunda gestação para que dessa vez ela não perdesse o bebê. Em 1988 trouxe ao mundo seu primeiro e único filho: Rafael. Apesar de muito forte, o menino nasceu com lábio leporino e fenda palatal, o que assustou a mãe de primeira viagem. A ten- são dos primeiros dias e a impossibilidade de amamentá-lo fez com que ela perdesse o fluxo de leite, obrigando-a a recorrer a uma prima que havia tido bebê contemporane- amente. As mamadeiras do pequeno Rafa eram importadas e a situação se comprovou ainda mais traumática para mãe e para o bebê que precisava ter as mãozinhas amar- radas para ser alimentado. “Foi difícil essa descoberta, ver meu filho assim. Eu não co- nhecia a doença e foi muito complicado no começo. Não poder amamentar... E depois imaginar todas as cirurgias que ele viria a fazer me assustavam”, comentou. Foram três procedimentos feitos até o menino comple- tar três anos. Aos seis meses, Rafael passou pela pri- meira cirurgia corretiva, que foi realizada num Hospital especializado em Bauru, São Paulo. Um dos médicos que o atendeu, ti- nha suspeita que o bebê poderia ter sín- drome de Down e solicitou um exame de contagem cromossômica. O resultado veio três meses depois, quan- do a família já estava em Cuiabá. O laudo positivo para o Down assustou novamente a mãe, que também desconhecia a síndrome. O apoio do marido foi imprescindível para lidar com todos os desafios que lhe surgiram. “Eu me perguntava o tempo todo ‘por qual motivo?’ eu precisava estar passando por aquilo com meu filho e o meu esposo me dizia ‘por que não? Por que não nós? Deus escolheu a gente para enfrentar isso’. E isso me tranquilizava. Ele foi uma pessoa muito importante nesse primeiro momento”. Após o nascimento de seu filho, Iza se- “Eu me perguntava o tempo todo ‘por qual motivo?’ eu precisava estar passando por aquilo com meu filho e o meu esposo me dizia ‘por que não nós?’ ”

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