Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
43 guia com sua vida de mãe e esposa. Conci- liou suas múltiplas atribuições com a facul- dade de Geologia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), cuja formação se deu no ano de 1995. Nunca chegou a exer- cer a profissão. Para continuar fornecendo uma boa estrutura da capital para o desen- volvimento do filho, abriu mão das propos- tas de trabalho no interior do Estado. Não muito tempo depois de ter conclu- ído a graduação, o casamento com Leo- nardo também chegou ao fim. O marido manteve contato por telefone até meados de 2000, quando sumiu e sequer procurou pelo filho ou arcou com algum custo. Nes- te período e sempre com algum otimismo, Iza começou a fazer marmita em casa para vender e complementar a renda de asses- sora de parlamentar na Câmara de Cuiabá. Quando novamente se viu desempregada, Iza recebeu um convite para, no ano de 2000, iniciar os trabalhos no Tribunal de Contas. Ela acabou abrindo mão do negó- cio que foi sucesso espontâneo para além dos muros de sua residência no Coxipó. Em 2003, ela arrendou um “pitdog” que sempre estava às moscas em frente ao seu condomínio. Em pouco tempo, fez dele um sucesso. Seu diferencial era o humor e a for- ma peculiar com que lidava com os clientes. “Eu não gostava de fazer lanche porque a chapa era muito alta e eu queimava meu braço. Eu gostava só de servir cerveja, refri- gerante... Aí as pessoas me pediam um lan- che e eu falava ‘mas por que você não come esse lanche em outro lugar?’. Acho que, sem querer, criei um marketing , com essa brin- cadeira de mandar os clientes comerem no McDonald’s e aí começou a bombar, colo- quei som, TV. Me queimava toda mas me di- vertia e fazia sucesso”. Mas o dono “cresceu o olho” e, após 10 meses, pediu o ponto de volta. Quebrou em seguida. Ato IV – Mais uma grande tragédia Em 2006 Iza desmoronou. Ela não sabe dizer ao certo o que a desencadeou a sín- drome do pânico. Só sabe que, de repente, lá estava ela, no mesmo ponto de ônibus de sempre, a caminho do trabalho, quan- Em 2006 Iza desmoronou. Ela não sabe dizer ao certo o que a desencadeou a síndrome do pânico. Só sabe que, de repente, lá estava ela, no mesmo ponto de ônibus de sempre, a caminho do trabalho, quando levou a mão ao peito com uma imensa aflição e falta de ar
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