Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
48 a travessia de 100 km à pé entre as cidades de Vitória e Anchieta. Na mochila, algumas peças de roupa, cantis, isqueiros e um kit para primeiros socorros; pouco material mas que, ao final de longas sete horas de caminhada, pesa como fardo, de modo que nem o cajado é capaz de ajudar a sustentar o corpo. Mesmo acostumada a se movimentar, seja com a dança, o pilates, a caminhada ou a própria corrida de rua, a servidora diz que nenhuma ação preventiva poderia tê-la pre- parado para enfrentar tamanho desgaste fí- sico e mental. “No terceiro dia eu sentia uma vontade de parar tudo e voltar pra casa. Dói na alma a inflamação dos músculos. Disse- ram-me que se eu passasse dessa etapa, a próxima seria tranquila e eu consegui com o apoio do meu marido e de todas as pes- soas que passam pelos nossos caminhos”, comenta. Ao final do roteiro, forma-se uma população flutuante com quase quatro mil peregrinos, que são recebidos pelos muní- cipes do caminho com pequenos banquetes e festividades. Para a servidora, apesar da exaustão, é preciso “fazer a leitura do caminho”, conec- tar-se com as inúmeras histórias de vida que se cruzam nos trajetos percorridos e se abrir à contemplação das paisagens que lhes chegam aos olhos. “Tem coisas que acon- tecem de maneiras inexplicáveis, como uma música que toca e que faz refletir sobre um problema. Nos momentos mais exaustivos, era a fala de uma pessoa que se aproxima e te motiva” conta. Mantendo o contato com outras pes- soas e histórias, a peregrina comenta que os momentos de solitude também foram fundamentais para que a experiência se tornasse única e transgressora. “Nesses quatro dias eram eu, meu limite, minha No terceiro dia eu sentia uma vontade de parar tudo e voltar pra casa. Dói na alma a inflamação dos músculos Nos caminhos de Anchieta, algumas companhias inesperadas ajudam o caminhar Acervo pessoal
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