Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

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52 Deus, com sua espiritualidade e, vez ou outra, enfrenta a falta de acessibilidade nas Igrejas para vivenciar a sua fé. “Eu apren- di a orar sozinha e o faço o tempo todo. Percebi que não há nada mais sensível e profundo a se fazer por alguém do que se orar em silêncio. Há pouco, fui a uma Igreja e descobri que havia um grupo de orações em meu nome. Ou seja, semanalmente, alguém que eu nem imaginava colocava meu nome em oração. Chorei como crian- ça. Experiências como estas me fortalece- ram e eu entendi que tudo depende dos óculos que você utiliza para enxergar os seus dias. Hoje, os meus são cor-de-rosa. Mas nem sempre. As vezes você acorda e precisa chorar, então chore. É importante você se propor um caminho e ter a con- vicção de que amanhã haverá outro dia”, pondera. O presente e o passado vão fazendo as pazes, mas a inquietude da paraplegia não se esgotou. A psicóloga ainda deposi- ta suas fichas nas pesquisas com células- -tronco para que recupere a sensibilidade e o movimento. “Não sou hipócrita de afirmar que sou uma mulher melhor por conta do acidente, mas acredito na minha força e a minha felicidade por conta da maturidade adquirida. Para mim, o sofrimento e a revol- ta que são consequências da lesão medular só trazem coisas ruins, você perde, não ga- nha. Se forem disponibilizadas as tecnolo- gias desenvolvidas com a célula-tronco eu farei sim”, pontua otimista. Enquanto aguarda estes avanços, Flavia faz o possível para viver o seu próprio coti- diano da forma mais convencional possível, encontrando qualidade de vida através do trabalho, dos estudos, dos aperfeiçoamentos O triciclo motorizado e personalizado com adesivos brilhantes facilita a locomoção

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