Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
53 profissionais, dos atendimentos a pessoas com deficiência e, sobretudo, do convívio com familiares e amigos. É mãe, filha, irmã, amiga, profissional, e faz questão de ocupar todos estes espaços com sua inteligência, beleza, força e energia. No Tribunal de Contas, pode ser vista pe- rambulando com seu triciclo motorizado e customizado com lantejoulas brilhantes cor de rosa. Aqui, encontra um ponto com o qual se conecta ao passado. Quando se aciden- tou, Flavia trabalhava há seis anos na institui- ção, lotada no gabinete do conselheiro José Carlos Novelli, e estava prestes a se graduar em Administração. Após o acidente, deci- diu voltar à Psicologia, sua paixão antiga. Na vertente existencialista, encontrou meios de enfrentar sua condição e se fortalecer diante das adversidades. Há cerca de um mês, re- tornou ao Tribunal de Contas. Também atua em seu consultório particular no período da tarde e, pela noite, atende a empresas e clíni- cas terapêuticas com palestras motivacionais. Esta sua vasta trajetória, em tão curto tempo de vida, aproxima-se com a de ou- tros brasileiros que lidam com algum tipo de deficiência. Hoje, dia 21 de setembro*, cele- bra-se o “dia nacional de luta dos portadores de deficiência”, o que representa, de acordo com o IBGE, 6,2% da população. Conforme explica Flavia, a data é muito significativa, porque, no país, ainda são muitos os limi- tadores sociais que impossibilitam a quali- dade de vida a essa parcela da população. “O dia nacional da luta dos portadores de deficiência representa uma luta de braços erguidos, punhos cerrados... Ainda nos de- paramos com a péssima logística de rampas nas calçadas, por exemplo... Com motoristas que estacionam nas vagas destinadas a nós. Eu cotidianamente dou minha cara a tapa, compro essa briga e procuro ser a voz dos meus pares, porque sei que muitos não se pronunciam. É importante se impor e falar sobre isso. Meu depoimento vai nesse sen- tido”, defende. As experiências da psicóloga refletem-se em outras histórias de superação, de tentati- va, aprendizado e de ressignificação da vida. Flavia não foi um tipo desenvolvido nas tra- mas lispectorianas, mas é uma personagem do real, demasiadamente humana, que, de ponto em ponto, vai amarrando os retalhos de sua vida, de suas narrativas, ensejando um enredo com final feliz. Publicada na Intranet em 21/9/2016 (Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência) Eu cotidianamente dou minha cara a tapa, compro essa briga e procuro ser a voz dos meus pares, porque sei que muitos não se pronunciam. É importante se impor e falar sobre isso
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