Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
55 como as células destruídas. Mas era neste mesmo instante, com o desfalecimento do corpo, que ela voltava toda sua mente para retomar o ânimo e for- talecer seu espírito. Intimamente, havia pro- metido para si mesma, aos pés da santa de quem é devota, Nossa Senhora Aparecida, que não desistiria da luta épica que travaria dali em diante, diariamente. Deixou no al- tar que tem em casa, junto a uma prece, o laudo do diagnóstico de câncer de mama. Nas fases mais críticas do tratamento, como quando começaram a cair seus cabelos, a partir da 2ª sessão de quimioterapia, lembra- va-se da ave símbolo da mitologia grega, a fênix, que se recolhe e renasce de suas pró- prias cinzas. E se tinha uma certeza que car- regava consigo desde o início era a de que, tal qual a ave, conquistaria sua redenção. O diagnóstico de carcinoma tipo 1 veio quando tinha 38 anos. Sentia-se bem; não possuía histórico familiar da doença; não percebia nódulos e estava fora da idade de maior risco (a partir dos 55 anos). Não ima- gina, portanto, quando fez seus exames de rotina, que o papel com escritos complica- dos e jargões médicos apontaria a direção para o caminho mais difícil de sua vida até ali, do qual não seriam permitidos contor- nos ou atalhos, mas apenas percorrer. À época, a servidora ainda trabalhava no mesmo setor de quando ingressou no Tri- bunal de Contas como estafeta mirim, aos 17 anos de idade: na Secretaria do Pleno. O ritmo das sessões era extenuante, sobretudo às terças, quartas e quintas-feiras, quando os processos eram deliberados. Todo o tra- balho era manual e feito e refeito repetidas vezes na máquina de escrever. Até estar tudo correto. Quando adoeceu, concluiu que não conseguiria cumprir com o mesmo desem- penho suas atribuições. Foi tanto por uma escolha pessoal, quanto pelas limitações fí- sicas deixadas pelo tratamento, como a sen- sibilidade acentuada e a pouca mobilidade do braço direito. Afastou-se por dois anos da instituição, período no qual fez a cirurgia de quadrantectomia (na qual se retira 1/4 do seio); as sessões de quimioterapia a cada 21 dias; e o tratamento com radioterapia. Neste hiato, contou com o apoio inte- gral das irmãs, Elizabeth e Valdeth; dos fi- Nas fases mais críticas do tratamento, como quando começaram a cair seus cabelos, a partir da 2ª sessão de quimioterapia, lembrava-se da ave símbolo da mitologia grega, a fênix, que se recolhe e renasce de suas próprias cinzas. E se tinha uma certeza que carregava consigo desde o início era a de que, tal qual a ave, conquistaria sua redenção
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