Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

57 achei um gesto tão grande de uma pessoa que só tem contato comigo na venda. Há tanta amizade, tanto carisma que a gente não sabe a dimensão”. A todos estes momentos a servidora atribui a sua melhora. E, segundo ela, o seu engrandecimento pessoal também foi po- tencializado por todos os momentos difíceis que passou nestes longos anos. “Foi uma purificação em vida”, reflete. Segundo ela, nem todos precisam passar por situações tão difíceis para repensar seus dias. Mas é importante se deixar abrir a todo o aprendi- zado advindo dessas experiências. Quase 10 anos depois, Francis segue com o tratamento de hormonioterapia, para ini- bir a produção de alguns hormônios e di- minuir a possibilidade de recidiva do câncer de mama. É preciso enganar o próprio corpo para forjar uma menopausa. As doses diá- rias de tamoxifeno ainda causam dores pelo corpo todo. Tem dias que acorda e sente que carrega mais que o dobro da idade que possui. As dores vão sendo amenizadas com doses diárias de fisioterapia e de caminhadas leves. Por conta disso, há oito anos, deixou a Secretaria do Pleno e está numa ativida- de que exige tanta responsabilidade quanto, mas menos esforço físico: o Plenário Virtual. Atualmente, está no gabinete do conselheiro interino Luiz Carlos Pereira. Diante da oportunidade deste sobres- salto, Francis permitiu a si mesma um re- fazimento pessoal; rearranjou-se dentro de seu corpo para ser possível se (co)habitar. E ela se possibilita dizer, também, que foi percorrendo esse caminho difícil que se en- controu. Sente-se, finalmente, ela mesma. Não precisa de muito mais que sua própria discrição para ser percebida – e também enxergar o próximo. Conhece seus limites, mas também sabe do poder inesgotável que possui para transpassar suas fronteiras. Com sua história, espera apoiar e inspirar mulheres e homens que experienciam um câncer. A palavra não a assusta mais. E é preciso encarar o léxico com a coragem e o medo que ele inspira. Porque é possível vencer. E sobreviver. Ao contar sua história, Francis se emo- ciona. Para ela, falar sobre sua trajetória e sobre o que encontrou no meio do caminho significa dizer que finalmente está curada, física e emocionalmente. Depois de tanto tempo, conseguir se abrir também é uma vitória. Assim que conclui a entrevista, alça voo pelos corredores do Tribunal de Contas, caminhos muito familiares em seus quase 30 anos de casa. A fênix está flamejando. Publicada na Intranet em 1º/11/2017 Segundo ela, nem todos precisam passar por situações tão difíceis para repensar seus dias. Mas é importante se deixar abrir a todo o aprendizado advindo dessas experiências

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