Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

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66 pendo aquela fronteira de rispidez que sem- pre envolvia os diálogos da dupla e que foi fundamental para transformar a trama e, de quebra, entrar para a história como um dos momentos mais apaixonantes do cinema. Este mundo fantástico e permeado de ficção científica de Star Wars foi englobado de forma indissociável ao universo da ser- vidora Rosiane Soto, que desde “há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante”, consome os produtos relativos ao ambicio- so produto cultural que ainda mobiliza uma legião de fãs, os “geeks”. A princesa Leia, so- bretudo ela, foi a principal ponte entre a realidade e a fantasia, o que encanta a ser- vidora: percebe nela muito de sua persona- lidade. “Naquela época não se falava muito sobre empoderamento feminino. Não existia esse protagonismo. Acho que ela foi precur- sora dessa força, desta imagem de mulher forte e independente. Por estas característi- cas, eu me identifico muito com ela”, afirma. Filha de uma dona de casa com um ca- minhoneiro, Rosiane e a irmã mais velha, Rosângela, sempre foram incentivadas a buscar nos estudos um meio de redenção. E levaram isso a sério. Quando Rosiane tinha 18 anos, ela e a irmã já arcavam com todas as despesas de casa. A primeira formou- -se em 1992, em Administração, enquanto a segunda já trabalhava como agrônoma, desbravando o Estado em suas atividades. Ambas se formaram pela Universidade Fe- deral de Mato Grosso, o que deixa a servido- ra orgulhosa ao relembrar que sua vida toda estudou através do Ensino público. Mas essa trajetória de sucesso, contada resumidamente, pode esconder o fato de ter sido resultado de um esforço familiar muito grande e das mentes visionárias dos pais. Oriundos do Paraná, mudaram-se para São Paulo quando Rosiane era criança. Poste- riormente, quando ela estava no início da adolescência, a família encontrou, em Cuia- bá, o lugar possível para criar suas raízes. Estão aqui há mais de 30 anos. “Meu pai acreditava que, aqui, teríamos boas opor- tunidades para estudar. Minha irmã estava na época de prestar vestibular e ele achava que, aqui, conseguiríamos ingressar numa universidade pública”, conta. Como o pai, Bruno, passava até 6 me- ses fora de casa por conta de sua profissão, a mãe assumia esse protagonismo na vida das filhas, sempre segurando as amarras e emendando eventuais situações em que as meninas saiam da meada. “Minha mãe foi muito durona, pegava no nosso pé pra valer, “Naquela época não se falava muito sobre empoderamento feminino. [...] Acho que ela foi precursora dessa força, desta imagem de mulher forte e independente”

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