Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas

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84 A hospedaria é gratuita para os seus ha- bitantes passageiros, mas têm custos que são arcados, integralmente, por doações em dinheiro, de alimentos e de produtos de lim- peza. Durante a entrevista, Silvanete atende a ligação do cunhado, Vicente, que, juntamen- te com a esposa, cuida da parte administrati- va. Ele informa que estão em falta os artigos de higiene. “Eu e meu esposo fazemos essas correrias nos horários que conseguimos, à noite, ou no almoço, nos desdobramos para conseguir os man timentos”, afirma sorrindo. Tudo é articulado pela rede de contatos en- tre amigos, amigos de amigos, e familiares. Com a manutenção mensal e as contas, os gastos gerais chegam a cinco mil reais. Apesar das dificuldades cotidianas, da correria que é caminhar entre as suas inú- meras rotinas de profissional, mãe de duas meninas, esposa e filha, a servidora, que está lotada na Secretaria de Tecnologia da Informação, defende que não é complexo ao ser humano praticar a solidariedade. “Basta olhar ao redor, tirar as vendas. Tem tanta gente que precisa mais que nós e, nem sempre, há uma carência de bens ma- teriais, mas uma palavra, um olhar, um abra- ço, também são transformadores”, pontua. Os projetos de ajuda e acolhimento não cessaram com a Hospedaria, situada no final da Avenida Brasil, no bairro CPA II. A família já sente que pode fazer ainda mais e está pleiteando um lote ao lado da casa, no intuito de construir uma creche comunitá- ria. “São muitas questões que nos rodeiam, como se daremos conta de tudo isso, mas temos uma convicção de que Deus nos dá esses braços, de forma que pretendemos ampliar nosso atendimento às pessoas sem cobrar nada e sem deixar faltar nada”, diz. No dia 31 de agosto, em que a Organi- zação das Nações Unidas (ONU) celebra o Dia Internacional da Solidariedade Humana, Silvanete comenta sobre o que, para ela, é o maior valor do ser humano: a bondade. “Eu tenho a esperança de que as coisas me- lhorem. Você abre um site de notícias e vê tanta coisa triste. Mas a maldade e a indife- rença não são normais às pessoas. Com pe- quenas ações, poderemos recobrar alguma esperança. Tenho esperança de que as coi- sas vão melhorar”, externa sem hesitar. Con- victa, como quem já atravessou a fronteira entre o ver e olhar. E que não volta mais. Publicada na Intanet em 31/8/2016 Os hóspedes são acomodados num amplo espaço. Sentem-se em casa Acervo pessoal

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