Além do Olhar: relatos e trajetórias dos servidores e colaboradores do Tribunal de Contas
86 determinadas e intensas. Glaucia Bianca Stefanini nasceu filha de Iansã. Mas o reconhecimento desta mater- nidade espiritual se deu há pouco tempo, quando ela se converteu ao Candomblé após ser gerada num berço Kardecista e receber, por anos a fio, uma educação Ca- tólica. Estas andanças por templos, igrejas e terreiros acontecem naturalmente, já que sempre esteve envolvida com essas diversas espiritualidades ao aprender, dentro de casa, a acolher, a respeitar e a conhecer o que as religiões podem proporcionar de mais va- lioso: o ensino do amor. Nas redes sociais é Glaucia Stefanini Matambelê, sobrenome que diz sobre sua relação com o Candomblé e Iansã. Mas, além de Iansã, Glaucia foi revelada, durante o período de 21 dias de feitura no santo, aos seus outros dois orixás: Oxóssi e Xangô. O primeiro é o orixá das florestas, das ervas utilizadas para banhos espirituais, da far- tura e do sustento. Já o segundo é o orixá da justiça, do sentimento voraz em agir de acordo com o mais próximo do correto. De alguma forma, foi um grande encon- tro pessoal quando Glaucia aprendeu mais afundo sobre o Candomblé e, como a Alice de Lewis Carroll, atravessou o espelho de sua existência para se conhecer ainda me- lhor. Ela entendeu como seus orixás, seus guias, sempre se manifestaram em seus âni- mos, escolhas e ações. Por onde passa, a mulher alta de cabelo raspado deixa rastro de seu ímpeto. Com passos rápidos e um olhar destemido e cintilante, segue fulmi- nando e despindo a alma de quem cruza seu caminho. Glaucia parece ter pressa da vida e aproveita todo o instante do seu dia que, lamenta, possui apenas 24h. Pouco para a mulher implacável. Com 30 anos de Tribunal de Contas e atuando na Secretaria do Pleno, possui muitos conhecidos e amigos, os quais faz questão de abraçar e desprender uns mi- nutos de prosa. Só esse amor pelas pessoas a faz arrefecer o passo sempre constante e rápido. Diante do ser humano, o furacão se torna uma brisa no fim de tarde. Quando entra numa sala ou passa por um setor, é como o vento de Iansã percorrendo a mata e colorindo os ambientes mais cinzas e mo- nótonos com vida. De branco dos pés à cabeça para celebrar Iansã Acervo pessoal
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