Avaliação de controles internos: frotas públicas

Avaliação de controles internos: frotas públicas

14 | Avaliação de Controles Internos: Frotas Públicas – Gabriel Liberato Lopes e Richard Maciel de Sá Risco: Opção ou Destino? A palavra “risco” deriva do italiano risicare , que significa “ousar”. Nesse contexto, risco é uma opção, e não um destino (Bernstein, 1997). 2.2 Riscos Na obra “Desafio aos Deuses: a fascinante história do risco”, Pe- ter Bernstein (1997), economista e professor consagrado de Harvard, destaca o fator que distingue a pré-história dos tempos modernos. Para o autor, não é o progresso da ciência, nem a tecnologia, nem o capita- lismo ou a democracia. A verdadeira diferença estaria na capacidade de administrar os riscos . A ideia revolucionária que define a fronteira entre os tempos modernos e o passado é o domínio do risco: a noção que o futuro é mais que um capricho dos deuses e de que homens e mulheres não são passivos ante a natureza. Até os seres humanos descobrirem como transpor essa fronteira, o futuro era um espelho do passado ou o domínio obscuro de oráculos e adivinhos que detinham o monopólio sobre o conhe- cimento dos eventos previstos. Para Bernstein, ao compreender o risco, medi-lo e avaliar suas consequências, o homem converteu o ato de correr riscos em um dos principais catalisadores que impelem a sociedade ocidental moderna. Sem domínio da teoria das probabilidades e outros ins- trumentos de gestão do risco, os engenheiros jamais teriam projetado grandes pontes, os lares ainda seriam aquecidos por lareiras ou fogareiros, as usinas hidroelétricas não existiriam, não haveria aviões e as viagens espaciais seriam apenas um sonho. Sem os seguros em suas múltiplas variedades, a morte do pai de família reduziria os filhos jovens à penúria ou à caridade, a assistência médica seria possível a um número reduzido de pessoas e somente os ricos teriam casa própria. Se os agricultores não pudessem vender suas safras a um preço estabelecido antes da colheita, produzi- riam muito menos alimento. (BERNSTEIN, 1997). Conviver com o risco é um velho dilema da sociedade, “Proteger- -se contra todos os riscos é impossível, porque qualquer oportunidade invariavelmente acarreta riscos”, de acordo com a lição de Wildavsky (1979, p.32) O risco é uma precondição essencial para o desenvolvimento humano; se parássemos de assumir riscos, inovações técnicas e sociais necessárias para solucionar muitos dos problemas mundiais desapareceriam. De fato, muitos dos riscos existentes na sociedade moderna resultam de benefícios gerados por inovações sociais e tecno- lógicas. Por outro lado, a imprudência insensata também não é uma boa ideia. Em vez disso, precisamos definir um caminho intermediário no qual o acaso – com suas incertezas e ambiguidades inerentes – seja levado em consideração de maneira ob- jetiva, racional e eficiente.

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