Implantação de Governança no Setor Público

Implantação de Governança no Setor Público

17 Implantação de governança no setor público Kleberson Souza 1.2.2Riscos Na obra “ Desafio aos Deuses: a fascinante história do risco ”, Bernstein (1997) destaca o fator que distingue a pré-história dos tempos modernos. Para o autor, não é o progresso da ciência, nem a tecnologia, nem o capitalismo ou a democracia. A verdadeira diferença estaria na capacidade de administrar os riscos . A idéia revolucionária que define a fronteira entre os tempos modernos e o passado é o domínio do risco : a noção de que o futuro é mais que um capricho dos deuses e de que homens e mulheres não são passivos ante a natureza. Até os seres humanos descobrirem como transpor essa fronteira, o futuro era um espelho do passado ou o domínio obscuro de oráculos e adivinhos que detinham o monopólio sobre o conhecimento dos eventos previstos (Bernstein, 1997, grifo nosso). Para Bernstein, economista e professor consagrado de Har- vard, ao compreender o risco, medi-lo e avaliar suas consequên- cias, o homem converteu o ato de correr riscos em um dos princi- pais catalisadores que impelem a sociedade ocidental moderna. Sem domínio da teoria das probabilidades e outros instru- mentos de gestão do risco, os engenheiros jamais teriam proje- tado grandes pontes, os lares ainda seriam aquecidos por larei- ras ou fogareiros, as usinas elétricas não existiriam, não haveria aviões e as viagens espaciais seriam apenas um sonho. Sem os seguros em suas múltiplas variedades, a morte do pai de família reduziria os filhos jovens à penúria ou caridade, a assistência médica seria possível a um número reduzido de pessoas e somente os ricos teriam casa própria. Se os agricultores não pudessem vender suas safras a um preço estabelecido antes da colheita, produziriam muito menos alimento (Bernstein, 1997). Assim, riscos são eventos inesperados , ocorridos na prática da operação das organizações e que impactam seus objetivos e não qualquer coisa que pode dar errado. Podem ser destacados como riscos no setor público situações como falta de medicamentos, falhas nos serviços prestados, diminuição do crescimento econômico, demanda de serviço maior que a oferta, atraso nos cronogramas dos projetos, queda na arrecadação, descontinuidade administrativa, restrição indevida de uma licitação, pagamento por serviços não prestados, desvios de recursos, so- brepreço, superfaturamento, conluio entre licitantes, fraudes, evasão escolar entre outros. São eventos incertos, porém mensuráveis, que merecem tratamento. Por outro lado, eventos de ocorrência improvável, ainda que possível, como tsunamis, terremotos, guerras, atentados terroristas e epidemias, devem ser foco de técnicas com melhor poder preditivo e não objeto específico de gerenciamento de riscos. Com base nessa perspectiva, estabeleceu-se uma definição formal para risco. Para a ISO 31000/2009 , por exemplo, “risco é o efeito da incerteza nos objetivos”. Risco: Opção ou Destino? A palavra “risco” deriva do italiano risicare , que significa “ousar”. Nesse contexto, risco é uma opção, e não um destino (Bernstein, 1997).

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