Revista TCE - 13ª Edição

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173 Artigos Científicos nos atos e, com isso, garante a probidade e diminui os riscos na gestão. 1. Governança Corporativa Com o crescimento empresarial em esfera mundial, proporcionado pela glo- balização, que viabilizou a ampliação do sistema capitalista, se fez necessário o debate sobre medidas efetivas para pre- venir riscos na gestão dos recursos das empresas, organizando de forma clara e objetiva a adoção de boas práticas gover- namentais. Pois bem, cumpre salientar que o ca- pitalismo nada mais é do que o sistema econômico no qual o maior objetivo é a obtenção de lucro e enriquecimento dos proprietários, acionistas e investidores das empresas privadas, gerando, com isso, a detenção do poder econômico nas mãos de pequena parcela da população. Max Weber, estabelece o conceito do espírito do capitalismo como: [...] o ganhar mais e mais dinheiro, com- binado com o afastamento estrito de todo prazer espontâneo de viver é, acima de tudo, completamente isento de qualquer mistura eudemonista, para não dizer he- donista; é pensado tão puramente como um fim em si mesmo, que do ponto de vista da felicidade ou da utilidade para o indivíduo parece algo transcendental e completamente irracional. O homem é dominado pela geração de dinheiro, pela aquisição como propósito final da vida. A aquisição econômica não mais está subordinada ao homem como um meio para a satisfação de suas neces- sidades materiais. Essa inversão daquilo que chamamos de relação natural, tão irracional de um ponto de vista ingênuo, é evidentemente um princípio guia do ca- pitalismo, tanto quanto soa estranha para todas as pessoas que não estão sob a influ- ência capitalista. [...] A economia capitalista moderna é um imenso cosmos no qual o indivíduo nas- ce, e que se lhe afigura, ao menos como indivíduo, como uma ordem de coisas inalterável, na qual ele tem de viver. Ela força o indivíduo, a medida que esse es- teja envolvido no sistema de relações de mercado, a se conformar às regras de com- portamento capitalistas. O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras, que será jogado na rua, sem em- prego. Assim pois, o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, me- diante o processo de sobrevivência econô- mica do mais apto . (WEBER, 2004) Na mesma senda, a evolução do ca- pitalismo se mostrou ainda mais indivi- dualista, não permitindo que a sociedade tivesse tempo de reagir às mudanças eco- nômicas, vejamos: [...] Os capitalistas de desastre, no entan- to, não têm nenhum interesse em conser- tar o que existiu um dia. No Iraque, no Sri Lanka e em Nova Orleans, o processo enganosamente chamado de “reconstru- ção” começou concluindo a obra do de- sastre original, ao eliminar o que restou da esfera pública e das comunidades ali enraizadas - e depois tratou de substituí- -las rapidamente por um tipo de Nova Jerusalém corporativa, tudo antes que as vítimas da guerra ou do desastre na- tural pudessem se reagrupar e reivindicar os direitos sobre o que era seu. (KLEIN, 2008, p. 16 a 18) Verifica-se que ocorre, analogicamen- te, uma seleção natural darwiana no âm- bito empresarial, ou seja, os organismos mais adaptados ao meio têm maior proba- bilidade de sobrevivência. Sob esse prisma, as grandes empresas tem mais chances no mercado financeiro, tendo em vista que acumulam mais capital e possuem maior corpo de trabalho. Por outro lado, as pe- quenas empresas dificilmente resistem a concorrência e a disputa econômica. Compreende-se que o comando das grandes empresas gira em torno dos objeti- vos dos acionistas majoritários e acionistas minoritários, sendo natural a existência de conflitos de interesses de cunho decisório no âmbito administrativo da corporação,

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