Revista TCE - 6ª Edição

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Consciência Cidadã 5 Gustavo Ioschpe durante a palestra ‘Políticas Públicas em Educação: Melhores práticas’ A escola passada a limpo A ampla e contundente análise so- bre o quadro educacional brasileiro foi um dos principais resultados do Fórum Consciência Cidadã, realizado pelo Tri- bunal de Contas de Mato Grosso no dia 21 de junho, tendo como foco melhores práticas em educação, saúde e transporte. Graduado em Ciência Política, mes- tre em Desenvolvimento Econômico e Economia Internacional, articulista da Revista Veja e consultor na blitz da edu- cação feita pelo Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, Gustavo Ioschpe causou polêmica com a sua palestra, ao desconstruir o senso comum de que o problema na educação está mais alojado na remuneração dos professores e na falta de interesse dos alunos. Fundamentado em pesquisas quanti- tativas e estudos empíricos disponíveis a quaisquer interessados que busquem se aprofundar sobre o tema, o especialista traçou um cenário que mostra o atraso nacional frente ao mundo, inclusive no quadro sul-americano. O grande erro é ficar se comparando internamente com outros Estados que es- tão em situação pior. O correto é olhar e se comparar com o mundo, totalmente globalizado, disse o palestrante, em res- posta à critica governamental que rejeita análises comparativas ou as admite apenas internamente, sob o argumento de que o Brasil tem a sua história e nela deve se in- serir. Ioschpe disse que os dados apontam para uma triste realidade, onde 75% da população brasileira não conseguem en- tender textos simples e 24% dos alunos da primeira série do Ensino Fundamental repetem de ano. Da mesma forma, obser- vou que, no teste PISA (principal referên- cia mundial de ensino), feito em 2009 em 65 países, o Brasil foi o 57º emMatemáti- ca, 53º em Linguagem e 53º em Ciências. Pior, analisando a taxa bruta de matrícula em Ensino Superior, o Brasil atingiu a marca de apenas 20%. Esse percentual é inferior ao da Venezuela e mais distante ainda quando comparado ao de países de- senvolvidos, acima de 75%. “Enquanto o Brasil comemora a universalização do Ensino Fundamental, alguns países estão chegando no Ensino Superior universal”, assinala. Esse quadro educacional esclarece a baixa produtividade do trabalhador bra- sileiro, então em 77º no mundo segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Analisando as informações da instituição fornecidas em 2010, pode-se concluir que são necessários 4.9 trabalhadores brasi- leiros para produzir o mesmo que um operário ameri- cano. Em 2002, o Brasil ocupava o 49º lugar. “Esta- mos em situação atrasada no quesi- to baixa produtivi- dade, especialmente em áreas de ponta; nosso viés é de queda; e, com a educação que temos, teremos muita dificuldade para conseguir ser um país desenvolvido”, sentenciou Ioschpe.

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