Revista TCE - 6ª Edição

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Consciência Cidadã 6 Experiências Convidado pelo Jornal Nacional para uma blitz da educação, Gustavo Ioschpe também recolheu experiências pessoais em cinco cidades visitadas. Segundo ele, a gestão da escola é fundamental. O dire- tor precisa dar o norte, estabelecer metas e cobrar. A boa escola atrai os pais; a má escola os culpa. Disciplina, condição ne- cessária. Quanto pior o professor, maior Escola Eficaz Segundo Gustavo Ioschpe, as mesmas informações empíricas (aquelas que tratam diretamen- te do aprendizado do aluno e são possíveis de serem medidas) per- mitem mensurar o que dá resulta- do, o que é insignificante estatis- ticamente; permitem identificar práticas de ensino que dão certo. Da mesma forma, mostram por que o Brasil não chega lá ou ainda como melhorar. O palestrante chamou essa eta- pa de sua análise de Escola Eficaz. As providências são até surpreen- dentemente simples. Ou comple- xas, se se adicionar o componente político da boa vontade de resolver o problema educacional. O especialista em Educação também destacou a influência dos pais no quadro do que dá certo. Segundo ele, a assiduidade do alu- no nas escolas, o nível educacional dos pais e a posse de livros e bens culturais em casa são importantes. Da mesma forma, o cientista polí- tico e mestre em economia relacio- na como medidas que dependem dos pais: a posse de computador em casa, matricular o filho em pré- -escola, fomentar o gosto pela lei- tura, estimular o desenvolvimento de ambições para o futuro, morar perto da escola, procurar compa- nhias positivas para o filho e evitar que a criança trabalhe. a necessidade de material didático. A boa escola está comprometida com o apren- dizado de todos os alunos. Já a má escola considera que o fracasso de alguns alunos é natural. No campo internacional, segundo o especialista, merece destaque a forte liga- ção entre o planejamento econômico e o educacional, ou seja, a educação atende a um projeto de país. Pragmatismo. Exem- Dez pontos merecem destaque, segundo Ioschpe: 01. Infraestrutura básica em ordem (mesa, cadeira, prédio, água, etc.); 02. Biblioteca na escola, livros em sala de aula, laboratórios e máquina de xerox ; 03. Recrutamento seletivo de professor (conhecimento da matéria, boa for- mação universitária, capacidade verbal); 04. Os melhores professores nas áreas mais difíceis; 05. Programas de apoio aos professores; 06. Prestação de contas; 07. Foco na retenção dos bons professores; 08. Assiduidade do professor; 09. Pouca burocracia; 10. Diretor bem pago. E o que é estatisticamente insignificante? 01. Cursos de treinamento de professores; 02. Remuneração de professores (escolas públicas); 03. Mestrado, doutorado de professores para escola básica; 04. Gasto por aluno; 05. Diminuir o número de alunos por sala (pode-se trabalhar com 25 ou 40 alunos); 06. Dois professores por sala de aula; 07. Computador em sala de aula. As práticas de ensino exitosas, elencadas por Gustavo Ioschpe: 01. Dever de casa + correção + comentário do professor; 02. Uso efetivo do tempo de ensino (não perder parte da aula com brincadeiras); 03. Uso constante de avaliação; 04. Uso do livro didático (para suprir a deficiência dos professores); 05. Por parte do professor, conhecimento da matéria que leciona; 06. Atitudes e crenças positivas (uma concessão do palestrante, embora apu- rada nos trabalhos e pesquisas empíricas). plos: fim da gratuidade do ensino univer- sitário, arranjos criativos para o financia- mento. Meritocracia: foco do sistema é o aumento do mérito acadêmico. Conclusões As conclusões de Gustavo Ioschpe são polêmicas, ao analisar as razões pe- las quais o Brasil não chega lá. Segundo ele, ocorre a inércia, mesmo em situação

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