Revista TCE - 6ª Edição

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Consciência Cidadã 7 “ Os postos de saúde ficaram com os piores resultados, ‘provavelmente por ainda manterem um modelo antigo de atendimento’. ” ruim. A elite coloca seus filhos na escola privada e se despreocupa com o resto. Pais de alunos de escola pública têm baixa es- colaridade e voz política. Consequência: culpam os filhos. Os professores culpam os alunos e não reconhecem carências e atrasos. Grande parte dos professores ocupa cargos por indicações políticas. E os políticos, em sua maioria, entendem que educação de qualidade não dá voto e, pior, exigir melhoria significa comprar briga com corporações poderosas. Mas é possível melhorar. No macro: convencer a sociedade que a educação é importante e que o Brasil está mal. No micro: implementação de práticas eficien- tes, incentivo e acompanhamento perma- nente do filho estudante, além de trans- formar a casa em um ambiente propício ao aprendizado. Gustavo Ioschpe marcou presença no Fórum Consciência Cidadã pela sua análi- se da educação, mas também pela ousadia e pró-atividade. Segundo ele, uma medi- da simples, encabeçada e desencadeada pela sua coluna na Revista Veja, propõe a criação de leis estaduais que determinem a afixação da nota Ideb (zero a 10) na porta da respectiva escola. O Ideb é o Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico. Carências no Sistema Brasileiro de Saúde Há vinte anos, a saúde pública bra- sileira apresenta dificuldades para ga- rantir recursos estáveis e suficientes para o seu financiamento. Cerca de 90% da população brasileira é usuária dos servi- ços do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 26,8% exclusiva. Para o professor da Universidade Federal de Mato Gros- so (UFMT) e doutor em Saúde Públi- ca, Júlio Müller Neto, o SUS se tornou invisível, sofrendo a instabilidade das mais variadas fontes de receita, impostos e contribuições sociais, sem ampliar a participação no gasto do sistema no Pro- duto Interno Bruto (PIB) ou na receita tributária como um todo. Com o intuito de levar ao debate público as deficiên- cias, dificuldades e vantagens sociais do SUS, o estudioso de saúde pública mi- nistrou palestra no Fórum Consciência Cidadã, promovido pelo TCE-MT no dia 21 de junho, no Centro de Eventos do Pantanal. Quem não precisa do SUS? Com 6.850 hospitais espalhados pelo país, o SUS tem 440 mil leitos contratados e atende 12 milhões de internações hos- pitalares por ano, perfazendo um total anual de 1 bilhão de procedimentos de atenção primária à saúde. Müller lembra que os remédios de alto custo forneci- dos pelo SUS são constantemente aces- sados pela classe média, assim como as cirurgias, cerca de 150 por dia em Mato Grosso. Ao defender a existência e a im- portância do SUS, Júlio Müller apresen- tou dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) sobre a Percepção Social do SUS entre as pessoas que são atendidas na rede. Os melhores resultados foram para o Programa Saúde da Família, que atende, hoje, 58% das famílias brasileiras. Os postos de saúde ficaram com os piores resultados, “provavelmente por ainda manterem um modelo antigo de atendi- mento”, opinou. Na sua avaliação, é pre- ciso ouvir a população na hora de tomar Júlio Müller Neto durante a palestra ‘Políticas Públicas em Saúde: Melhores práticas’

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