Cinquenta + 10 Anos de História do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso
312 Cinqüenta Anos de História Mato Grosso, D. Francisco de Aquino Corrêa. Foi Prefeito de Campo Grande de 5 de setembro de 1918 a 11 de agos- to de 1919, ocasião em que nasceu o seu primeiro filho, Dr. Stênio, atualmente Promotor aposentado e jornalista em Três Lagoas-MS. A 11 de agosto de 1920 foi nomeado Fiscal junto à Feira de Gado, em Três Lagoas, transferindo definitiva- mente residência para aquele município. Na Assembléia Legislativa Estadual participou de quatro legislaturas, sendo de 1918 a 1920, 1921 a 1923, em outubro de 1934 e foi Prefeito de Três Lagoas no período de 1941 a 1948. Em 23 de dezembro de 1948 ingressou na Academia Mato-Grossense de Letras, tendo escrito para o ensejo o discurso “Torre de Marfim”, onde ocupou a cadeira de nº 40, que tem por patrono o Pe. Armindo Maria de Oliveira, e hoje é ocupada por Após os mandatos e já viúvo, seguiu para Cuiabá para exercer o cargo de Secretário de Agricultura do Governo do Dr. Arnaldo de Figueiredo, respondendo inúmeras vezes pela pasta do Interior, Justiça e Finanças. Em dezembro de 1950 foi novamente eleito Deputado e Presidente da Casa, nos anos de 1952, 1953 e 1954. Foi nomeado Juiz do Tribunal de Contas em 31 de dezembro de 1953, tendo sido homenageado pelos colegas, como Juiz fundador do TCE-MT. Quando de sua despedida do TCE, Rosário Congro foi saudado pelo Ministro Lenine de Campos Povoas, que assim se expressou: Nenhum outro ambiente me deixaria tão à vontade, quanto o deste Egrégio Tribunal. Aqui não sou constrangido, por conveniência alguma, a assumir atitudes que não estejam conforme os ditames da minha consciência. Nenhuma circunstância aqui me obriga a dizer o que não sinta, nem calar os meus legítimos sentimentos. Por tais mot ivos, o Sr . Presidente e Srs. Ministros, aceitei com sincera satisfação a incumbência honrosa que me outorgaram de saudar, em nome do Egrégio Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, o ilustre Ministro Rosário Congro, no dia em que se despede do nosso convívio, para ir desfrutar, no aconchego do seu lar, uma aposentadoria que se fez justa e merecida. Não me é difícil a tarefa, porque me é agradável. Frequentador que fui das galerias da nossa antiga Assembléia, quando, daquele período agitado da segunda República, funcionava ainda o Legisla- tivo no velho prédio da Rua Pedro Celestino, ali conheci Rosário Congro como um dos espíritos mais brilhantes do nosso Parlamento Estadual. Mas só fui apresentado a Rosário Congro em 1942, quando como simples estudante de Direito, visitei Três Lagoas, a “Cidade Caçula”, da qual era ele Prefeito. Em plena ditadura, quando os detentores do Poder não demonstravam nenhum interesse em fazer amigos e em conquistar simpatias, porque se julgavam eternizados nas posições, Rosário Congro, que mal me havia conhecido, dispensou-me várias horas de suas atenções, levando-me a percorrer as obras que então realizava em sua profícua administração. É que os regimes políticos não mudam o caráter dos homens. Sua índole, suas tendências e seus sentimentos não se alteram ao sabor das oscila- ções políticas, mas se revelam sempre, na mais absoluta fidelidade, em todas as ocasiões. Vem daí uma sólida amizade, que muito me honra, e que, ao invés de se arrefecer, quando nos situa- mos em campos opostos na política estadual – nessa política tão mal praticada, e em que alguns homens se desrespeitam e se rebaixam – pelo contrário, se solidificou ainda mais em vários anos de convivência nas lides parlamentares. São essas outras tantas razões que me sobram para desincumbir-me, com prazer, da missão que o Tribunal me confiou. Por outro lado, entretanto, sinto-me pesaro- so. Ao júbilo de ser o intérprete da justíssima homenagem que se presta ao amigo, que tanto distingo, contrapõe-se o pesar imenso de ser essa homenagem, também, uma despedida. Não é sem profundo pesar que nos vemos priva- dos, de ora em diante, de sua honrosa e agradável companhia. Perderá o Tribunal a colaboração de sua inteligência e de sua cultura, e perderemos nós, os seus colegas, a convivência da sua ca- maradagem e a alegria contagiante do seu bom humor. Sua saída não se dá semque nos sintamos assaltados pela emoção das despedidas, eterno tema dos poetas.
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