Revista TCE - 15ª Edição

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128 Artigos Científicos A evidenciada expansão na comer- cialização e consumo em nível nacional impactou, inevitavelmente, no aumento de notificações de intoxicações por agro- tóxicos, conforme se pode verificar no gráfico a seguir transposto, extraído do Relatório Nacional de Vigilância em Saú- de de Populações Expostas a Agrotóxicos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018): O significativo aumento do volume consumido de agrotóxicos no país (dados de 2014) e dos efeitos nocivos à saúde hu- mana, revelados da análise dos gráficos e números ora apresentados, converge com os fatos e conclusões apresentadas pelo professor doutor Ariovaldo Umbelino Oliveira, da Universidade de São Pau- lo (USP), no livro A Mundialização da Agricultura Brasileira (2016, p. 483-485). Veja-se, na íntegra: [...] o Brasil é maior importador de agro- tóxicos do planeta. Consome pelo menos 14 tipos de venenos proibidos no mun- do, dos quais quatro, pelos riscos à saúde humana, foram banidos no ano passado, embora pesquisadores suspeitem que ainda estejam em uso na agricultura. Em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no País – uma cota per capita de 5 litros por habitante e movimento de cerca de R$ 8 bilhões no ascendente mercado dos venenos. Dos agrotóxicos banidos, pelo menos um, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas re- produtivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno anali- sadas por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no município de Lucas do Rio Verde, cidade que vive o paradoxo de ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos. Lá se despeja anualmente, em média, 136 litros de venenos por habitante. Na pes- quisa coordenada pelo médico professor da UFMT Wanderlei Pignati, os agrotó- xicos aparecem em todas as 62 amostras do leite materno de mães que pariram entre 2007 e 2010, onde se destacam, além do Endosulfan, outros dois vene- nos ainda não banidos, o Deltametrina, com 37%, e o DDE, versão modificada do potente DDT, com 100% dos casos. Em Lucas do Rio Verde, aparecem ainda pelo menos outros três produtos bani- dos, o Paraquat, que provocou um surto de intoxicação aguda em crianças e ido- sos na cidade, em 2007, o Metamidofóis, e o Glifosato, este, presente em 70 das 79 amostras de sangue e urina de profes- sores da área rural junto com outro vene- no ainda não proibido, o Piretróides. Na Figura 6 – Comercialização de agrotóxicos e afins por área plantada e incidência da notificação de intoxicações por agrotóxicos – Brasil (2007-2014) Fonte: Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos. Ainda no tocante ao relatório insti- tucional do Ministério da Saúde (2018), ao se considerar o ano de 2014, Roraima (0,8/100 mil habitantes) e Rondônia (0,46/100 mil habitantes) se apresen- taram como os estados onde ocorreu a maior incidência de óbitos por intoxica- ção por agrotóxicos, conforme a seguir demonstrado. Figura 7 – Incidência de mortalidade por intoxicação por agrotóxicos, por unida- de da Federação Brasil (2014) Fonte: Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos.

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