:: Tribunal de Contas - MT

IDEB na entrada da escola: por quê?

12/08/2011

Todo mundo sabe que a educação brasileira vai muito mal, e que sem ela não será possível ao Brasil ter um processo de desenvolvimento sustentado que nos permita chegar ao clube...

Gustavo Ioschpe
Ciêntista Político, mestre em Desenvolvimento Econômico e Economia Internacional e articulista da Revista Veja
gustavo.ioschpe@gmail.com

Todo mundo sabe que a educação brasileira vai muito mal, e que sem ela não será possível ao Brasil ter um processo de desenvolvimento sustentado que nos permita chegar ao clube dos países desenvolvidos, com maior igualdade social e qualidade de vida. O surpreendente é que a maioria das pessoas acha que esse problema só afeta o outro, e que a escola do seu filho é muito boa. Assim, vemos a seguinte aberração: em pesquisa do Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, a nota média que os pais dos alunos das escolas públicas brasileiras deram à qualidade do ensino de seus filhos foi de 8,6. Mas a nota média real das escolas brasileiras, no último ano do Ensino Fundamental, é 4,0 – ou menos da metade da qualidade percebida pelos pais.

Essa nota se chama IDEB. É um índice idealizado por este articulista em livro de 2004 e adotada pelo MEC em 2007. Cruza o aprendizado das crianças, medido através de uma prova de conhecimentos, chamada Prova Brasil, com a taxa de aprovação da escola. Toda escola pública brasileira tem um IDEB, em escala que vai de 0 a 10. Mas o índice é quase que totalmente desconhecido pela sociedade. Até dentro das escolas, 47% dos coordenadores pedagógicos não conhecem o IDEB, segundo pesquisa recente.

Esse desconhecimento gera uma satisfação ilusória: achamos que nossa Educação está muito melhor do que realmente está. E essa satisfação gera imobilismo, inércia. Essa apatia, por sua vez, tem consequências nefastas. No nível micro, faz com que os pais se envolvam menos do que deveriam com a vida escolar de seus filhos, e não gera, dentro da escola, nenhuma pressão por melhorias, e nem o diagnóstico de onde as coisas não vão bem e devem melhorar. No nível macro, a apatia da população faz com que nossas lideranças não se interessem pela geração de políticas públicas que garantam o essencial: educação de qualidade. Os mal-intencionados se utilizam desse desconhecimento para usar a Educação para outros fins. E mesmo os bem intencionados se sentem tolhidos pela indiferença: é difícil propor reformas radicais no setor quando a população não a demanda, e o diálogo sobre a Educação acaba sendo dominado pela corporação do setor.

Para começar a romper esse quadro de inércia, venho propondo o que chamo de “IDEB na Escola”: fazer com que toda escola exiba, ao lado de sua porta principal, uma placa de grandes dimensões com o IDEB daquela escola. Só isso: dar aos pais e à comunidade escolar o direito de saber, de maneira objetiva, como anda aquela escola. Para que os profissionais exitosos – e há muitos grandes professores e diretores por esse Brasil afora – sejam reconhecidos e para que as escolas em dificuldade possam ser ajudadas e demandadas. As placas foram criadas pela equipe de Nizan Guanaes e estão à disposição para download no site www.idebnaescola.org.br.

O IDEB na Escola já foi adotado em vários estados e municípios brasileiros, apesar de ter sido divulgado há apenas dois meses em minha coluna na revista Veja, e um projeto de lei já tramita no Congresso Nacional. Aqui em Cuiabá, ele já tramita como projeto de lei  estadual, do deputado Emanuel Pinheiro. Apesar de a colocação das placas poder ser realizada por decreto do Poder Executivo, é importante que ela seja fruto de aprovação do Legislativo, para que tenha maior representatividade e também estabilidade, para que o decreto de um governante não seja cancelado por seu sucessor.

Se você é a favor da transparência e do aprendizado, não delegue essa responsabilidade a terceiros: não custa mais do que cinco minutos ligar pro seu deputado e vereador e defender que essa medida seja implementada aqui. Seus filhos e netos agradecerão.




Mais artigos de Gustavo Ioschpe :

12/08/2011 - IDEB na entrada da escola: por quê?


Ver todos os artigos
Gustavo Ioschpe

Formado magna cum laude na University of Pennsylvania, Strategic Management (B.S., Wharton School), Ciência Política (B.A., College of Arts and Sciences) e mestre em Desenvolvimento Econômico e Economia Internacional pela Yale University.