O Tribunal de Contas de Mato Grosso inaugurou a Biblioteca Poeta Silva Freire, instalada na Escola Superior de Contas. O local tem estrutura para se tornar um importante espaço de estudo e pesquisa especializada para a população cuiabana, principalmente para o funcionalismo público e as entidades de classe localizadas no Centro Político Administrativo (CPA).
O evento de abertura, na tarde de quarta-feira, dia 24/09, foi marcado por apresentações culturais como a do Coral do TCE, do cantor JB e do trio Pescuma, Henrique e Claudinho. Além de declamações de poesia, por Carmem Lúcia Fernandes de Campos Araújo e uma crônica por Vanda Marchetti, ambas de autoria de Silva Freire.
A inauguração integrou a programação do Circuito Cultural Setembro Freire, organizado pelo escritório em Cuiabá da Representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - Unesco-, em homenagem ao poeta que no dia 20 de setembro completaria 80 anos. O Circuito tem parceria do Tribunal e de diversas entidades públicas e empresariais.
O coordenador do Escritório da Unesco, Antonio Carlos Maximo, disse que a importância de Silva Freire pode ser medida pelo consenso que existiu nas homenagens ao poeta e escritor. "Numa época marcada pela pluralidade de idéias, diversidade de opiniões e impossibilidade de consenso esse projeto arregimentou tantos parceiros". Máximo ressaltou, principalmente, a parceria com o Tribunal de Contas que ele pretende ampliar para outras ações culturais. 
A vida do escritor, advogado e poeta mato-grossense, Benedito Sant’Anna da Silva Freire, foi lembrada pelo amigo e ex-secretário de Justiça de Mato Grosso, Salomão Franco Amaral. Emocionado, ele leu o currículo de Silva Freire relembrando trechos da época em que militaram na política, fundaram jornais literários e defenderam a democracia brasileira.
Salomão também recordou a literatura, a poesia e o teatro de Silva Freire. “O meu amigo não foi compreendido em vida, por ser essencialmente político. A sua obra é grandiosa. Ele era um entalhador da palavra e de uma sensibilidade única”.
Para a família e amigos de Silva Freire, a Biblioteca do TCE é um tributo ao poeta, reconhecido como um dos intelectuais mais expressivos da sua geração. “O nome dele não poderia estar em outro local, como esse dedicado à leitura e ao conhecimento. Agradecemos ao Tribunal por essa homenagem que enaltece e imortaliza o nome do nosso querido Silva Freire”, disse a viúva Leila Freire.
O presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Antonio Joaquim, ressaltou a especial amizade que teve com Silva Freire. Conforme ele, é uma satisfação homenagear aquele que foi grandioso em todas as suas fases, um homem que fez e entrou para a história de Mato Grosso. “Sua simplicidade e empolgação foram cativantes. Viveu intensamente, ele era um homem multicultural. Um grande amigo que deixou saudades”.
Antonio Joaquim destacou que a parceria no Circuito é motivo de orgulho para o Tribunal Contas, ainda mais que o nome de Silva Freire para a Biblioteca do TCE foi escolhido democraticamente pelos servidores, após votação.
A solenidade de inauguração foi prestigiada por autoridades como o vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rubens de Oliveira, o procurador Geral de Justiça, procurador Paulo Prado, o escritor Moises Martins, a prefeita em exercício de Cuiabá, Jacy Proença, o procurador Antonio Hans, o ex-presidente da Associação Mato-grossense de Letras, Sebastião Carlos e os conselheiros aposentados Ubiratan Spinelli e Branco de Barros.
Também participaram do evento, os conselheiros Humberto Bosaipo e Waldir Júlio Teis, servidores do
TCE, amigos e parentes do poeta Silva Freire, além de personalidades ligadas a cultura cuiabana.
ESTRUTURA – Com 87 metros quadrados, a Biblioteca “Poeta Silva Freire” possui sala de estudo coletivo, boxes individuais e mesas equipadas com computadores conectados à internet. O acervo é composto de 1.200 títulos de obras nas áreas do Direito, Contabilidade, Administração e Controle Externo, além de periódicos diversos. A consultoria foi prestada pelo historiador e especialista em organização de arquivos, Clóvis Mattos.
