Algum tempo atrás, completar trinta anos significava entrar definitivamente na meia idade; hoje, em muitos casos, representa começar a sair da adolescência [...continue lendo]
Algum tempo atrás, completar trinta anos significava entrar definitivamente na meia idade; hoje, em muitos casos, representa começar a sair da adolescência.
Nossa Constituição Cidadã de 1988 alcançou a trigésima primavera e o fato enseja inúmeros debates e questionamentos. É jovem ou velha? Ainda tem vigor e vitalidade, como muitos idosos atualmente, ou deveria ser recolhida a um museu jurídico? Cumpriu seu papel histórico ou tornou-se mais um exemplo de boas intenções que não saíram do papel?
É natural que não haja unanimidade ou consenso na apreciação de tema tão relevante. Enquanto alguns criticam aspectos pontuais da Carta, outros questionam seu excessivo detalhismo e muitos argumentam sua fragilidade pelo fato de já ter sofrido 97 Emendas.
A realidade é que nenhum Texto Constitucional será perfeito, tanto no sentido de agradar a todos quanto no de ser imune a alterações ou aperfeiçoamentos.
A Constituição é o grande pacto de convivência civilizada entre os brasileiros. Expressa como nos vemos enquanto nação soberana, o que desejamos alcançar como sociedade e define regras e condições democráticas para isso.
Somos diferentes de canadenses, búlgaros, tailandeses ou iranianos. Nossa Carta é única porque somos singulares, inclusive em relação aos vizinhos sul-americanos e aos demais países que viveram a colonização portuguesa. Portanto, não me parece adequado tecer comparações simplistas com as constituições de outros países.
Procedendo a um exame em relação a nossa própria história, fica bem claro que nunca tivemos uma Constituição tão democrática. Isso se verifica em inúmeros dispositivos, especialmente os que asseguram mecanismos de transparência na administração pública, participação popular na definição e execução de políticas públicas e fortalecimento de instituições de controle do exercício do poder, como os Tribunais de Contas, o Ministério Público, o Conselho Nacional de Justiça, entre outros. Isso também se materializa na igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres e na expressa vedação a quaisquer formas de discriminação política, social, religiosa ou econômica.
Se consultarmos as nossas Cartas anteriores, como a de 1967, imposta pela ditadura militar, veremos que nessa abundavam termos como “censura” e “subversão” e não havia nenhuma menção a “meio ambiente” ou “portador de deficiência”. Até mesmo a palavra “mulher” só aparecia nas regras de aposentadoria e na isenção do serviço militar. Se olharmos mais atrás, na Constituição Imperial, somente poderiam ser eleitos deputados os cidadãos com mais de quatrocentos mil réis de renda e desde que professassem a religião oficial do Estado. Sem esquecer que os escravos não eram cidadãos.
Aliás, recentemente um defensor da monarquia criticou a Carta de 1988 por ser “pródiga em direitos”, ignorante talvez que na Constituição Imperial havia todo um capítulo assegurando generosas dotações para a família reinante, inclusive, no art. 112, um dote em espécie para as princesas por ocasião de seu casamento...
Na minha área de atuação, o controle externo da gestão pública, a Carta de 1988 promoveu importantes e notáveis mudanças, ampliando as competências dos Tribunais de Contas e o escopo de sua atuação, estipulando rigorosos requisitos para a indicação de ministros e conselheiros e alterando os critérios de composição das Cortes, cujos cargos antes eram de exclusiva nomeação pelo Chefe do Poder Executivo.
Se, ao longo desse período, diversos problemas ocorreram em que, corretamente, se questionou a efetividade dos TCs, penso que a culpa não pode ser atribuída ao texto constitucional, mas sim ao seu descumprimento em muitas ocasiões.
Por certo que a nossa Carta não é perfeita e muitos dispositivos demandam ajustes, inclusive na área do controle. Mas é preciso maturidade para compreender que a nossa democracia é uma obra em andamento. Em 30 anos, a Constituição Cidadã contribuiu muito para o progresso civilizatório que o Brasil viveu e viverá. Não é hora para retrocessos.
19/01/2021 - Atenção! A LRF mudou
26/10/2020 - Transição de mandatos
23/09/2020 - Primavera em chamas
15/09/2020 - Precisamos falar sobre orçamento
02/09/2020 - Direito Público de Emergência
23/07/2020 - Emergência, transparência e prudência
15/07/2020 - A emergência na educação
02/07/2020 - Controle externo em defesa da democracia?
11/06/2020 - Não existe planeta B
02/06/2020 - Uma luta de 17 anos
27/05/2020 - Onde se aprende o racismo?
20/05/2020 - O desafio de fiscalizar R$ 125 bilhões
12/05/2020 - Covid-19: EC, MP, Lei e Decretos
06/05/2020 - Federalismo na UTI
20/04/2020 - Covid-19 e compras públicas
14/04/2020 - Auditorias que salvam vidas
07/04/2020 - LRF em quarentena
30/03/2020 - O (mau) exemplo de Mbeki
24/03/2020 - Emergência, calamidade e contas públicas
16/03/2020 - Há esperança?
24/02/2020 - A grande controvérsia
10/02/2020 - Ana Maria e o adenocarcinoma
27/01/2020 - Muito além de uma pirralha
21/01/2020 - Viva a cultura brasileira!
20/12/2019 - Ódio a Greta
09/12/2019 - O futuro do controle externo
25/11/2019 - Combater o racismo
04/11/2019 - O caso das OSCIPs
21/10/2019 - O cidadão e o torcedor
14/10/2019 - Auditoria e o controle da gestão
07/10/2019 - Um cargo quase desconhecido
23/09/2019 - Aktion T-4 e ADI 5.581
16/09/2019 - Precisa-se
09/09/2019 - Vitória para MT
26/08/2019 - Saber ouvir
12/08/2019 - Aprender sempre
05/08/2019 - A barragem do pudor
22/07/2019 - Estupidez não é patriotismo
15/07/2019 - Coração rompido
24/06/2019 - A necessária cautela
10/06/2019 - Banco Mundial, STN, LRF e desinformação
27/05/2019 - O muro invisível
13/05/2019 - Menos manchetes, mais resultados
29/04/2019 - Ajuste fiscal, seu lindo
15/04/2019 - Vida e morte no STF
09/04/2019 - Moçambique é o nosso espelho
25/03/2019 - O Tribunal expiatório
18/03/2019 - UFMT, TCE e a melhoria da gestão municipal
11/03/2019 - A nobreza da prestação de contas
25/02/2019 - Escolhas
12/02/2019 - Nelly, uma professora
28/01/2019 - Omissão e intervenção
21/01/2019 - A extinção do TCE
15/01/2019 - Controlar (também) é contrariar
12/12/2018 - Verdade fiscal
26/11/2018 - 13 + 2 anos de atraso e omissão
21/11/2018 - Financiamento da saúde pública em MT
12/11/2018 - O que o Ideb nos diz?
29/10/2018 - A Democracia não se resume em eleições
23/10/2018 - 30 anos: jovem ou velha?
08/10/2018 - O Brasil que queremos
01/10/2018 - O exemplo do Funajuris
24/09/2018 - Uma boa leitura
03/09/2018 - Aprender, compartilhar e multiplicar
27/08/2018 - Um passo à frente
20/08/2018 - Controle externo é arma da democracia
06/08/2018 - Os chapéus do bisavô
23/07/2018 - Declaração de voto
09/07/2018 - A falta que faz um museu
03/07/2018 - O Papa Francisco está certo
25/06/2018 - Trapalhada bilionária
18/06/2018 - Federalismo traído
29/05/2018 - Factfulness
21/05/2018 - Final feliz para a novela do FEX?
07/05/2018 - A caravana necessária
23/04/2018 - Três inimigos do controle externo
16/04/2018 - A vaga no TCE custou caro
09/04/2018 - Não sou e sou Marielle
26/03/2018 - A vida das crianças
19/03/2018 - Massacre silencioso
12/03/2018 - Revolução perdida, ainda sonhada
05/03/2018 - A porta estreita
26/02/2018 - Consciência cidadã
19/02/2018 - A caça ao jovem negro
15/02/2018 - Carnaval com dinheiro público
05/02/2018 - A vaia no avião
22/01/2018 - Externalidades do controle externo
15/01/2018 - Centenário de um cargo republicano
18/12/2017 - FEX 2019, a esperança é o TCU
04/12/2017 - O bom combate
21/11/2017 - Orgulho gay
13/11/2017 - Pingos nos is
06/11/2017 - A nova lei da adoção
30/10/2017 - A lei do PIB verde
23/10/2017 - Uma PEC para Mato Grosso
16/10/2017 - Seguro para quem?
09/10/2017 - Abaixo a ditadura
02/10/2017 - Minha delação premiada - 1
25/09/2017 - Setembro chegou sem FEX
11/09/2017 - Vencer os sete Nãos
04/09/2017 - Caminho do bem
28/08/2017 - Não é só dinheiro
21/08/2017 - Racismo lá e cá
14/08/2017 - Evangelho e controle externo
07/08/2017 - Contas governamentais
31/07/2017 - Desafio para um orçamento
10/07/2017 - O Brasil precisa saber
03/07/2017 - Revolução
26/06/2017 - BNDES em questão
19/06/2017 - Boas notícias
12/06/2017 - Políticos ou técnicos?
05/06/2017 - Hiroshima em Sinop
29/05/2017 - 47.050 é um número
22/05/2017 - Não renunciarei
15/05/2017 - Macron, o improvável
08/05/2017 - Palavras de esperança
02/05/2017 - Negacionismo (2)
02/05/2017 - 160 anos depois, um livro
17/04/2017 - Concurso para Conselheiro? Já existe!
10/04/2017 - Três cidades, três amores
03/04/2017 - O sarcófago de Djehapimu
27/03/2017 - Ferrovia
20/03/2017 - Negacionismo
13/03/2017 - O craque discreto
06/03/2017 - Machismo repugnante
01/03/2017 - O controle que funciona
20/02/2017 - A hora do CNTC
13/02/2017 - Ombros de gigantes
06/02/2017 - Novos gestores e seus desafios
30/01/2017 - A honestidade como defeito
23/01/2017 - Barbárie compartilhada
09/01/2017 - Natal em Aleppo
19/12/2016 - Os limites do Supremo
12/12/2016 - Incitação ao crime
05/12/2016 - Lágrimas cubanas
28/11/2016 - A solução de sempre
21/11/2016 - O honesto perigoso
07/11/2016 - Cuidar: o verbo dos prefeitos
03/11/2016 - Júlio e Antônio
24/10/2016 - Janus, futebol e (falta de) ética
17/10/2016 - Bom projeto e péssima ideia
10/10/2016 - A PGR errou
03/10/2016 - Hillary
26/09/2016 - O político e o idiota
19/09/2016 - O mistério de Santa Rita
12/09/2016 - Governança e governabilidade
05/09/2016 - Memória
29/08/2016 - Paralimpíadas
23/08/2016 - Coração olímpico
15/08/2016 - Decisão contraditória
18/07/2016 - Vereadores
04/07/2016 - Cinco lições de Muhammad Ali
27/06/2016 - Vexame internacional
20/06/2016 - Direitos humanos, aborto e racismo
06/06/2016 - O sol de Mato Grosso
30/05/2016 - Panela de pressão
23/05/2016 - Cobertor curto
16/05/2016 - Desculpas
09/05/2016 - Contas públicas e de campanhas eleitorais
02/05/2016 - O Dia do Auditor de Controle Externo
25/04/2016 - Integração sul-americana
18/04/2016 - E a vida continua
11/04/2016 - Sobrepreço e superfaturamento
04/04/2016 - O que são crimes de responsabilidade?
28/03/2016 - A professora Hanan
21/03/2016 - Cinco lições da crise
14/03/2016 - A lei é para todos
29/02/2016 - Riscos para a previdência pública
22/02/2016 - Velejar no contravento
15/02/2016 - A antipedagogia das vaias
09/02/2016 - Bloco dos sujos
01/02/2016 - A zika, a socióloga e o aborto
25/01/2016 - Luther King e Shakespeare
18/01/2016 - O crime perfeito
07/01/2016 - Feliz 2026
07/01/2016 - Pedaladas são crime?
07/01/2016 - Personalidades de 2015: 460 famílias
14/12/2015 - Dê ou doe livros
08/12/2015 - Crescimento não é desenvolvimento
30/11/2015 - O clima de Paris
16/11/2015 - Acidente ou crime?
03/11/2015 - Vivam as eleições!
26/10/2015 - Viver é a melhor opção
19/10/2015 - Jimmy Carter e o médico de Kunduz
13/10/2015 - O grande desafio
05/10/2015 - O Fla-Flu do TCU
28/09/2015 - A inevitável renúncia
21/09/2015 - Apertem os cintos
14/09/2015 - Somos todos migrantes
08/09/2015 - Pinóquios versus Datasus
31/08/2015 - Poesia na Praça da Mandioca
24/08/2015 - A escola nambiquara
17/08/2015 - O Brasil tem jeito?
10/08/2015 - O inglês, o ministro e o FEX
03/08/2015 - O caso dos remédios vencidos
27/07/2015 - Contas públicas em tempos de crise
13/07/2015 - BNDES financia o câncer dos brasileiros?
06/07/2015 - Eppur si muove
29/06/2015 - Dieta de carbono
22/06/2015 - Prêmio Nobel para Francisco, Daly e Mia Couto
15/06/2015 - Auditar para o presente e o futuro
08/06/2015 - Menos armas, menos crimes
01/06/2015 - Aborto e adoção
25/05/2015 - Imprensa livre
18/05/2015 - O contador de Auschwitz
11/05/2015 - Aborto e saúde pública
04/05/2015 - Rondon, herói brasileiro
25/04/2015 - O veto, o vetor, o veneno e a vacina
18/04/2015 - Estágio social: uma boa ideia
11/04/2015 - Peregrino da paz
28/03/2015 - Aborto e ciência
21/03/2015 - Tecnologia a serviço da democracia
09/03/2015 - Calote federal
02/03/2015 - A luta dos prefeitos
23/02/2015 - Existem corruptos patriotas?
14/02/2015 - Ouvir estrelas (e cidadãos)
07/02/2015 - Lições das águas
31/01/2015 - Combater o racismo
24/01/2015 - Bagunça orçamentária
10/01/2015 - O ataque terrorista à democracia
03/01/2015 - Ano Novo, vida nova?
27/12/2014 - Boa sorte
20/12/2014 - Como melhorar o controle?
15/12/2014 - 7 x 1 na economia brasileira
09/12/2014 - Viena ou Versalhes?
01/12/2014 - Diagnóstico da saúde pública
24/11/2014 - Assalto à Petrobras
17/11/2014 - O poeta pantaneiro
10/11/2014 - Golpistas fanfarrões
03/11/2014 - Tribunais de Contas: fazer o quê?
28/10/2014 - Qual reforma tributária?
20/10/2014 - Segundo turno
13/10/2014 - Sucateamento da CGU e do IBGE
04/10/2014 - Boa sorte,brasileiros
22/09/2014 - Conselheiros para servir a quem?
15/09/2014 - Escolha de conselheiros dos Tribunais de Contas
15/09/2014 - Colaboração premiada
08/09/2014 - Ideb 2013: retrocesso
01/09/2014 - Caminhos da sustentabilidade
25/08/2014 - Consumo predatório
18/08/2014 - Instituições republicanas
11/08/2014 - O marqueteiro, o bicho-papão e o Papai Noel
04/08/2014 - Quem vai pagar a conta?
28/07/2014 - Ahmed e Yaniv
14/07/2014 - País do futebol
07/07/2014 - Concursados não são santos
30/06/2014 - A lista dos inelegíveis
23/06/2014 - Formalismo ou efetividade?
09/06/2014 - Remédio amargo
02/06/2014 - Ambiente turvo
26/05/2014 - Cidadão mato-grossense
17/05/2014 - Eficiência energética
12/05/2014 - Incentivos fiscais
05/05/2014 - Herança das trevas
28/04/2014 - Municípios e soluções
14/04/2014 - A escolha do ministro do TCU
07/04/2014 - Água é vida
31/03/2014 - Ditadura para distraídos
22/03/2014 - As sandálias de Mujica
15/03/2014 - Alma de poeta
08/03/2014 - Veneno lucrativo
01/03/2014 - Pequenas transgressões
24/02/2014 - Leis que pegam ou não
15/02/2014 - Democracia de luto
25/01/2014 - Três registros positivos
13/01/2014 - Amor aos livros
06/01/2014 - A questão previdenciária
21/12/2013 - Qualidade do gasto público
07/12/2013 - Bioma Amazônia
25/11/2013 - Uma mentira conveniente
11/11/2013 - O atalho das cotas
29/10/2013 - Resultados do controle externo
21/10/2013 - A coragem do "não"
14/10/2013 - Professores
30/09/2013 - O custo do descontrole
23/09/2013 - Salve a ferrovia
16/09/2013 - O poeta da cidade
09/09/2013 - Independência
02/09/2013 - O jogo do Luverdense
26/08/2013 - A janela aberta de Francisco
19/08/2013 - Lição de solidariedade
12/08/2013 - Orçamento impositivo
05/08/2013 - Bala ou bomba?
22/07/2013 - Retrocesso histórico
08/07/2013 - Mandela
01/07/2013 - Fanatismo não tem cura
24/06/2013 - Lição de economia política
19/06/2013 - Licitações sustentáveis
11/06/2013 - A Terra é azul!
03/06/2013 - Auditorias ambientais
27/05/2013 - A nova lei dos substitutos
20/05/2013 - Cooperação inovadora
14/05/2013 - A volta da inflação
16/04/2013 - Ouvir a comunidade escolar
09/04/2013 - Cidadania digital
25/03/2013 - Quando funciona, incomoda
16/02/2013 - Fortalecer o controle interno
14/02/2013 - Auditoria de obras públicas
22/12/2012 - Desafios da gestão municipal
25/10/2012 - Apoio às microempresas
04/07/2012 - Benefícios do controle externo
23/04/2012 - A Constituição inacabada
20/03/2012 - Acessibilidade e obras públicas
13/03/2012 - Mato Grosso e o FPE
15/11/2011 - Marcos da transformação
15/12/2010 - Gestão Ambiental - Novo desafio para os Tribunais de Contas
15/08/2010 - Acessibilidade: requisito da legalidade, legitimidade e economicidade das edificações públicas
Luiz Henrique Lima
Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Perfil