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Coração rompido

15/07/2019

De fato, na nossa cultura o coração simboliza não apenas o repositório dos sentimentos mais nobres, mas também o responsável pelo impulso vital [...continue lendo]

Poucas imagens podem ser tão impactantes quanto a de um coração rompido.

De fato, na nossa cultura o coração simboliza não apenas o repositório dos sentimentos mais nobres, mas também o responsável pelo impulso vital. Um coração rompido revela um ser cujo amor foi perdido, traído, acabado. Ademais, um coração rompido indica um organismo cuja vida se esvai e agoniza. O coração rompido é a morte do amor e o fim da existência.

A corrupção é o coração rompido do Brasil. Não apenas simbolicamente. Etimologicamente, a palavra corrupção deriva do termo latino corruptione que é a junção das palavras cor (coração) e rupta (rompimento).

A corrupção é, portanto, um grande mal que faz sangrar o nosso país e multiplica o sofrimento dos brasileiros.

Sim, porque a corrupção não é apenas um desvio ético, como afirmam alguns, que acusam de moralistas os que a condenam e combatem.

LUIZ HENRIQUE LIMA
Conselheiro interino
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Além de ser um crime previsto no Código Penal e, portanto, uma violação da ordem jurídica, a corrupção provoca prejuízo econômico em larga escala. Os empresários que pagam propinas repassam esses custos aos seus consumidores. Os investidores se afastam desse ambiente encarecendo o custo de captação de novos recursos e reduzindo a oportunidade de criação de empregos.

A corrupção também compromete a execução de políticas públicas, sacrificando principalmente os setores mais vulneráveis da sociedade.

O exemplo mais gritante é na área da saúde. Desde o roubo na compra de ambulâncias às fraudes nas guias de internação; desde as emergências fabricadas para justificar compras sem licitação e superfaturadas até o acúmulo de medicamentos com validade vencida; desde as terceirizações sem adequada fiscalização até os desvios de equipamentos para clínicas privadas; em toda parte, o que se constata é que a saúde pública poderia estar em muito melhor condição sem gastar um centavo a mais, mas apenas aplicando corretamente os valores que hoje já lhe são destinados.

Assim, é preciso deixar claro que a corrupção mata e que os corruptos na área da saúde são verdadeiros serial killers, de alta periculosidade. Por exemplo, no Rio de Janeiro, operações policiais como a Ressonância e a Fratura Exposta comprovaram desvios de centenas de milhões de reais da saúde pública.

Crianças em escolas aos pandarecos, enfermos atirados nos corredores de ambulatórios, idosos sem medicação ou assistência, todos são vítimas da destruição que a corrupção acarreta.

Por fim, a corrupção é uma traição à democracia e à Pátria. Quantos não são alçados ao poder e, uma vez investidos de funções de elevada responsabilidade, nelas se locupletam, beneficiando a si próprios, às suas famílias ou grupos de interesses.

Mas é necessário dizer que a corrupção não se limita à compra e venda de votos ou de vagas; não se reduz à propina que impulsiona ou retarda um processo ou uma medida provisória; e não se esgota no maço de notas escondido nas roupas íntimas, acomodado em malas executivas ou transferido eletronicamente para paraísos fiscais.

A irresponsabilidade na gestão fiscal também é corrupção. A ausência de planejamento na gestão pública também é corrupção. A complacência com o desperdício de recursos públicos também é corrupção. A violência contra os mais fracos também é corrupção. A omissão diante da injustiça também é corrupção.

Um dos livros de maior sucesso de Francisco Cândido Xavier tem como título: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Lançado em 1938, teve muitas dezenas de reimpressões. O título de Coração do Mundo, além de outras considerações espirituais, remete ao formato do território brasileiro que se aproximaria da imagem estilizada de um coração humano.

É esse nosso coração que está rompido e que precisamos recompor, reconectar, reviver, com muito trabalho, amor, respeito ao próximo e democracia.




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Luiz Henrique Lima

Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia. Perfil